Supernova

Uma supernova brilhou nos céus do Brasil. Mal sabia que a explosão que a tornou visível já lhe anunciava o fim. A eleição de Lula para a Presidência da República é o marco inicial de sua queda.

Eleito, carregava consigo a esperança de muitos. Gente simples, que acreditava na lenda do trabalhador inculto que venceu as elites. Gente sonhadora, que o louvava como pai dos pobres, D. Sebastião revivido, campeão da ética, herói que venceria a fome e encantaria o mundo. Nas redações, sindicatos e universidades intoxicados de idolatria infante, era bicho raro, ave exótica que nunca estudara mas cuja sapiência era louvada.… leia mais

Lírios podres

Há um cansaço em mim. Em nós. Fruto de suprema vergonha ao ver o país se converter, a cada dia, em local onde a selvageria prevalece, a má educação campeia, os horrores se espalham e as instituições derretem.

Sob este nosso céu claro, a violência está em toda parte. Naturalizou-se. Instalou-se sem cerimônia nas salas e escolas, nos tribunais e nas igrejas. Já não é feita apenas de balas, mas também de gestos e falas corrompidos.

Das redes sociais ao plenário da mais alta Corte do país, tornamo-nos uns destemperados, reféns de boçalidades, adeptos do grito.

Os supostos detentores da razão não se refreiam.

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A roupa nova do imperador chinês

A China encena, ao vivo e em cores, “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. É algo que já se percebia, mas agora a coisa ficou despudorada e com transmissão em tempo real para o planeta inteiro.

O mais recente capítulo ocorreu hoje: uma alteração da Constituição do país permite ao atual presidente, Xi Jinping, ficar no cargo por tempo ilimitado.

Ou seja: está reinstaurada a vitaliciedade na China. Xi Jinping é o novo imperador: com poderes quase divinos e autorizado a ficar no cargo pela vida inteira.

Pena que o último imperador – Pu Yi – não esteja vivo para testemunhar.

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Camaleão

Delfim Netto, 89 anos, firme na corrupção e no apego ao poder. Do regime militar ao governo Dilma, são cinquenta anos de experiência em saquear os cofres públicos.

É um caso emblemático de flexibilidade ideológica impulsionada pela vocação para ser siamês do poder. Afinal serviu aos governos militares e também aos do PT. Talvez achasse que a estatolatria de ambos era mais importante que o restante do cardápio.Nos governos militares estreou com Castelo Branco e se manteve firme na aba do Planalto até Figueiredo (apenas Geisel não o quis por perto). Foi ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento. Tornou-se o czar da economia nacional, manipulou números, arrastou dezenas de brasileiros à bancarrota, engambelou a todos com seu milagre econômico e levou a dívida externa à estratosfera.

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Babel

A intervenção num Rio de Janeiro em ruínas soou como socorro tardio, desconjuntado. E teve o efeito colateral de  desnudar aos últimos viciados em otimismo o que deveria ser óbvio: os problemas do microcosmo fluminense são os do conjunto do País. Sua solução? Quase utopia.

Apesar do fio de  esperança que insiste em sobreviver, sabemos que são de difícil implementação as medidas profundas, estruturais, que poderiam arrancar o Rio e o Brasil da falência generalizada em que mergulharam.

Tarefa imensa aos olhos dos cidadãos comuns, que anseiam por soluções definitivas mas também querem o alívio a curto prazo.  Essa espera nos perturba, exaure e a cada dia nos rouba a alegria, as boas maneiras, os traços básicos de civilidade.… leia mais

Quase Ministra

O Teatro Brasilis apresenta sua nova produção, “Quase Ministra”, peça em quatro atos, plágio mal feito da obra de Machado de Assis.
 
Personagens:
 
Cristiane Brasil, deputada, candidata a ministra do Trabalho, carente de noção, compostura, vergonha e decoro.
 
Roberto Jefferson. Pai de Cristiane, raposa experimentada na política, negociador matreiro.
 

Michel Temer. Dublê de presidente da República e ator de filmes da década de 30.

Resumo dos Atos

Ato 1 – Praça dos Três Poderes

Depois de uma conversa secreta, na qual se trocou cargos destacados por apoio às reformas – uma prática bastante comum nos arraiais de Brasília – Roberto Jefferson e Michel Temer bateram o martelo: a filha de Jefferson seria a nova ministra do Trabalho.… leia mais

Hamelin

A passagem de Lula pelo Rio de Janeiro me pôs um gosto amargo na boca. Espetáculo deprimente que me deixou entre a incredulidade e a náusea.
 
Como traduzir o desgosto que senti por testemunhar que tantos brasileiros nada aprenderam com a história recente? Uma desesperança anestesiante por ver parte de nosso povo compactuar, apoiar e incentivar o crime, a corrupção e o populismo mais barato.
 
A voz rouca de Lula despejava uma avalanche de informações manipuladas, abusava de baixezas, argumentos tortos, frases de efeito, provocações baratas. A reação de estudantes e professores? Delírio.
 
O ex-presidente insistia na velha estratégia de incentivar o ódio entre os brasileiros, transferia responsabilidades, apresentava-se como herói e salvador.
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O luxo de ter um deputado honesto

O discurso de Tiririca pôs em êxtase o Brasil.

Em seu primeiro e único pronunciamento, o deputado-palhaço se converteu em novo herói na terra do sebastianismo crônico.

Ouso ocupar a cadeira de psicanalista da Nação para arriscar uma explicação: a da velha projeção dos desejos. Quem ansiava dizer tais coisas diretamente aos congressistas se sentiu vingado. Alma lavada e enxaguada, já diria Odorico Paraguaçu.

 Afinal, o que disse o deputado para tocar a alma brasileira?

Que o Congresso é majoritariamente constituído por homens insensíveis, que não se preocupam com o povo. Nós pensamos assim.

Anunciou que estava decepcionado. Nós também estamos.

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Cry me a river

Joesley chorou ao ser preso.
Geddel chorou na cadeia.
Assim como choraram, na tribuna e nos palanques, Eduardo Cunha, Lula, Delcídio, Collor, Sergio Cabral.
Nós, os pagadores de impostos, não nos compadecemos perante lágrimas de criminosos disfarçados de empresários e políticos.
É que já choramos demais.
Choramos pela roubalheira desenfreada,
pelos hospitais públicos caindo aos pedaços,
pelos remédios que apodrecem sem uso,
pelos livros jogados em lixeiras,
pelas escolas sucateadas,
pela falta de apoio à ciência,
pelas universidades à míngua,
pelos fundos de pensão dizimados,
pela Petrobras loteada,
pela Amazônia devastada,
pela distribuição de cargos a apadrinhados tecnicamente incompetentes,
pelas estradas esburacadas,
pelos policiais mortos,pelas bibliotecas e teatros abandonados.
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Máscaras, karmas e estratégias

A data de 5 de setembro de 2017 deveria ser batizada como “O dia das máscaras caídas”. Além de Joesley Batista, que se revelou em toda a extensão de sua miséria moral, os acontecimentos serviram para mostrar que o procurador geral da República manchou a própria biografia com as trapalhadas que envolveram a delação de Batista. O dia terminou com uma denúncia que finalmente expôs os monumentais prejuízos causados pelo grupo petista liderado por Lula e Dilma.

Sobre Joesley, há pouco a acrescentar: ele mesmo se revelou nas gravações que fez. Suas palavras de lama e sua pobreza de caráter estão explícitas em cada sílaba que pronunciou.… leia mais