Índia – Parte 7 – Darjeeling

Estamos no Dekeling Resort at Hawk’s Nest. Na sala, um levíssimo aroma de tabaco. Alguém fumara horas antes e deixara um rastro daquele perfume meio adocicado e muito agradável. O silêncio quase absoluto é interrompido, de vez em quando, pelo piar dos passarinhos e pelas risadas dos tibetanos na cozinha.

Pela janela, vejo o recorte azulado das montanhas do Himalaia, dos pinheiros e das coloridas bandeirinhas budistas.

Nosso hotel é pequeno. A sala de estar é como uma casinha: aconchegante, toda de madeira, cheia de livros, com cortinas floridas e móveis forrados de veludo vermelho-escuro, muitos mapas e fotos do Dalai Lama.… leia mais

Índia – Parte 6 – O sol nasce no Himalaia

De Calcutá, um voo direto nos levou para Bagdogra, a cidade mais próxima de Darjeeling e que tem aeroporto. Desci excitadíssima: Darjeeling, a terra do chá, estava bem ali ao lado, à minha espera. Sonhei com esse momento por meses: queria ver as montanhas, os tea gardens (plantações de chá preto, famosíssimas), o cheiro daquele lugar – a joia de Bengala Ocidental.

Um calor insuportável nos aguardava em Bagdogra. Alex zombava de mim: “Não era aqui que você disse que era mais friozinho? Isso aqui está tipo Rio de Janeiro no verão”.  O motorista do Dekeling Resort nos aguardava, como combinado anteriormente com o proprietário tibetano, Mr.… leia mais

Índia – Parte 5 – Calcutá

O dia era 20 de dezembro de 2008. Chegamos em Kolkatta (Calcutá), capital e maior cidade de West Bengal (Bengala Ocidental). A metrópole situada às margens do rio Hugli reúne nada menos 14 milhões de habitantes em sua região metropolitana. É muito poluída, tem um trânsito conhecido por não perdoar os distraídos e um distrito que é o resumo da miséria humana em termos de pobreza e exploração sexual de mulheres e crianças: Sonagachi (foto aqui). Expectativa desta sonhadora que vos fala: conhecer a terra onde floresceram os mais requintados artistas indianos e a capital do Raj Britânico.… leia mais

Índia – Parte 4 – Bhubaneswar

IMG_4170Bhubaneswar nos surpreendeu de várias formas. Uma Índia mais “arrumada” (para os padrões ocidentais) e um hotel realmente limpo – o Ginger, do Grupo Tata. Vou fazer uma pausa na narrativa para falar do conglomerado Tata, que é onipresente na Índia. Duvida? Veja isso aqui (em inglês) ou isso aqui (em português) e deixe seu queixo despencar. Mr. Tata está comandando tudo: produção de remédios e carros, aço, energia, companhias aéreas, comida – e o que mais a sua imaginação autorizar.

O Ginger é um hotel de padrão ocidental, serviço sem luxo, porém competente, com Internet provida pelo grupo Tata.… leia mais

Índia – parte 3: o Taj Mahal

IMG_3559Na manhã seguinte acordamos cedo e rumamos para o Taj Mahal. Na véspera passamos em uma loja e comprei roupas  indianas (um costureiro de plantão fez os ajustes), já que as malas ainda estavam desaparecidas.

Chegamos ao monumento bem cedo. Uma bruma envolvia o túmulo de Mumtaz Mahal, cujo nome verdadeiro era Arjumand Bano Begum. O mausoléu é o fim de uma história rara na antiguidade: amor e paixão intensos em um casamento real. Mas a princesa persa e o imperador Shah Jahan se amavam e ela morreu ao dar à luz seu décimo-quarto filho. O viúvo planejou todos os detalhes do túmulo situado às margens do sagrado rio Yamuna.… leia mais

Índia – parte 2: Nova Delhi e a estrada para Agra

Logo no primeiro dia decidimos pegar um táxi para conhecer a capital. Apareceu o Suresh: gordinho, o indefectível bigode e um ar simpático. Cabelos reluzentes pela aplicação de óleo de mostarda. Tinha o inglês mais engraçado da face da terra e, de cara, identificou em “Mr. Alex” seu principal interlocutor. Nas ruas, eu fotografava tudo: vacas, elefantes, tuk-tuks. O trânsito na Índia é surreal. Todo mundo buzina, o espelho retrovisor é meio inútil e – surpresa – quase ninguém xinga, reclama ou parece irritado.

IMG_8492
Suresh Sharma

Suresh nos levou a uma loja para comprarmos roupas indianas. Iniciantes, não lembramos da tradição de pechinchar.… leia mais

A Índia real

Há um tempo em que a flor se encolhe, a cor se apaga e uma sombra estrangeira se ergue entre o olho e o sol. Ela veio, sombra indesejada, com seus dedos nodosos, para arrancar de dentro do peito que arfava, na solidão de uma UTI, a alma de minha mãe. Três dias depois, decidi superar a dor e manter a viagem à Índia cuidadosamente planejada um ano antes.

Em vez da excitação alegre, a viagem veio envolvida em luto – visitante inesperado que me roubou as doçuras de um sonho acalentado há tanto tempo. Talvez por isso os gregos acreditassem que, diante de uma felicidade exuberante no humano coração, os deuses invejosos pesavam a mão contra os felizes da Terra.… leia mais