“Não passarão!”

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Frank Miller. Leonidas.

Ricardo Pulido

O ano é 480 a.C., época de poucos confortos. O local, um desfiladeiro estreito no coração da Grécia, as Termópilas, ou “Portas Quentes”. De um lado, um exército formidável, o maior jamais visto, comandado por Xerxes, o Rei dos Reis, o Imperador da Pérsia. Do outro lado, um grupo de 300 soldados espartanos e cerca de 7000 guerreiros de outras cidades, comandados pelo Rei Leônidas, com a missão de retardar ao máximo o avanço persa sobre Atenas, dando tempo para que ela fosse evacuada e se preparasse para uma contra-ofensiva. O desfecho é conhecido: o exército grego resistiu bravamente por dois dias até que, após a traição de um grego, os persas descobriram uma passagem alternativa e flanquearam os espartanos dizimando-os.… leia mais

Diário da Crise 15/04/2016

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Cesar e seu destino. Jules-Élie Delaunay

Alea jacta est (“a sorte está lançada”), teria dito Júlio César ao tomar a decisão de cruzar o rio Rubicão, que delimitava a divisa entre a Gália e o território da Itália. César sabia que, se atravessasse o Rubicão, não haveria caminho de volta: ou tomava poder em Roma ou seria o fim de sua carreira política. Naquele ano 50 a.C., o Senado romano, liderado por Pompeu, ordenou o regresso de Júlio César e a desmobilização de suas legiões na Gália.  César desobedeceu e, atravessando o Rubicão, iniciou uma guerra civil. Em 48 a.C.

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Diário da Crise 13/04/2016

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Paul Cézanne. Os Jogadores de Cartas.
O destino embaralha as cartas, e nós jogamos.
Arthur Schopenhauer
À medida que se aproxima o dia da votação do impeachment da presidente da República na Câmara dos Deputados, mais  se torna evidente o grande jogo político.  A metáfora das cartas é inevitável: o senador Delcídio Amaral previu a queda do governo entoando um trecho da canção de Ivan Lins: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus. Cai, não fica nada“; Eduardo Cunha notabilizou-se pela poker face; e hoje a presidente Dilma admitiu que, se perder na Câmara, será “carta fora do baralho”.… leia mais

Diário da Crise 12/04/2016

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Almeida Júnior. Saudade.

Quem não tem medo da vida, também não tem medo da morte.

Arthur Schopenhauer

 

Seguem os dias de crise, mas, a partir de hoje, sem a presença de um brasileiro adotivo – um anônimo morador de Atibaia (SP), nascido nos Açores, e que, aos 90 anos de idade, ainda era apaixonado por política.  Acompanhou todos os desdobramentos dos dias tumultuados de Brasília e hoje partiu, talvez cansado demais dessa infinita crise. José Rebelo Furtado – avô de coração – sentirei saudades das conversas, das análises, dos debates e da sua acurada percepção da vida política nacional. A coluna de hoje é dedicada a você, que tanto sonhou com um novo tempo para o país que o acolheu.

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Diário da Crise – 11/04/2016

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Edward Biberman. Conspiração.

Talvez eu e meu corpo formemos uma conspiração pelas costas de minha própria mente.

Friedrich Nietzsche

Cochicha daqui, sussurra de lá, ergue um muro ali, insufla o ódio acolá. De rima em rima, segue a epopéia sem glórias da política verde-amarela.

Hoje vazou um áudio do vice-presidente da República se antecipando aos fatos e prometendo reunir o País sob suas asas protetoras, tão logo a presidente Dilma seja afastada. Temer garantiu que o vazamento foi acidental. Ninguém acreditou. O Palácio pediu que ele renunciasse. O vice se fez de surdo. Voltou a ser acusado de conspirador. Ignorou solenemente – até porque, no mesmo instante, a Comissão Especial do Impeachment aprovava com 11 votos de diferença o parecer de Jovair Arantes favorável ao afastamento da presidente da República.… leia mais

Diário da Crise 08 e 09/04/2016

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Hougoumont. Robert Gibb

A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.

Winston Churchill

Há muitas batalhas em curso no País. Ao final delas, conheceremos as vítimas anônimas e famosas. No Brasil dividido, há de se lamentar que essa guerra tenha ceifado o bom senso, a ética e a honradez – sem deixar de mencionar que, em nome de políticos indignos, amizades se esfacelam e a intolerância prevalece.
Eis as notícias do fim de semana.
  1. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Militar organizaram um plano de segurança especialmente para a Esplanada dos Ministérios durante os três dias de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
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Janot e a curiosidade

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Caravaggio. A incredulidade de São Tomé.

Hoje estou particularmente curiosa.

Decidi ler as 50 páginas da manifestação do procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, sobre a nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil, e fiquei ainda mais cheia de dúvidas.
Após a leitura até me perguntei se o novelão brasileiro corre risco de ter mais palpitantes capítulos em breve.
Separei quatro trechinhos que considerei muito interessantes e que me redobraram a curiosidade. Mas não me atrevo a nada além de fazer perguntas após as frases de Janot.
Eis minhas dúvidas:
 
1. “Indícios de que a nomeação e posse do ex-Presidente foram praticadas com a intenção de afetar a competência do juízo de primeiro grau e tumultuar o andamento das investigações criminais no caso Lava Jato.
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Diário da Crise 07/04/2016

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A nau dos insensatos. Hieronymus Bosch.

Segue a nau dos insensatos que, instalados no Poder, protagonizam a grande crise da Terra Brasilis.

A quinta-feira trouxe duas notícias de grande impacto. A primeira foi a delação do ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, que expôs as entranhas do esquema de corrupção e obras superfaturadas que alimentou as campanhas eleitorais. Os números incluem R$ 150 milhões em propinas na construção da usina de Belo Monte e valores igualmente altos nas obras dos estádios da Copa. Só o estádio de Brasília custou US$ 830 milhões (R$ 3 bilhões) e é o segundo mais caro do planeta, perdendo apenas para o icônico Wembley, na Inglaterra, que custou US$ 1 bilhão.… leia mais

Diário da Crise 06/04/2016

 

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    Salvador Dalí.

    Brasília capricha na crise cada vez mais surreal. Um bom indicativo disso é assistir a Paulo Maluf dando lições de ética , ministro do STF ameaçado de impeachment, o vice-presidente da República afirmando que não vai para “briga de rua” e um dos partidos da base de apoio dizendo que fica no governo mas também liberando a bancada para votar contra a presidente Dilma.

    Abaixo, você lê as principais notícias do dia e, ao final, uma pequena fábula surrealista para combinar com o noticiário.
    1. O relator do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), disse em seu parecer lido hoje que há indícios gravíssimos de crime de responsabilidade cometidos pela presidente da República e aceitou o pedido de impeachment.
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Diário da Crise 05/04/2016

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Escher. Relativity.

A crise política ameaça comprometer a memória e até a percepção dos brasileiros, tal o volume de notícias diárias. Não há cérebro suficiente para armazenar tantos crimes, personagens, conexões, subterfúgios e reviravoltas dessa mistura de Game of Thrones (como disse o New York Times) com um romance de Dostoiévski.

Eis as principais notícias do dia.

  1. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Câmara dos Deputados que receba um pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer e envie o caso para análise de uma comissão especial a ser formada na Casa. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, reagiu dizendo que a decisão invade competência da Câmara dos Deputados e anunciando que vai recorrer ao plenário da Corte
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