Diário da Crise 08/06/2016

Quatro notícias marcaram o dia em Brasília: a real possibilidade de Eduardo Cunha não ser cassado pelo Conselho de Ética (sic) da Câmara dos Deputados e a especulação sobre o conteúdo das delações premiadas de Zwi Skornicki, Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro.

A delação de Skornicki atinge diretamente a campanha da reeleição de Dilma Rousseff: o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto teria pedido ao operador US$ 4,5 milhões e repassado o dinheiro diretamente para o marqueteiro João Santana sem declará-lo à Justiça Eleitoral. Odebrecht deve também dizer que propina financiou a campanha da presidente afastada e as de 13 governadores e 36 senadores (leia).

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Cerveró e a banalização da corrupção

A delação premiada do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, é uma daquelas peças capazes de inspirar um tratado sobre a banalização da corrupção no Brasil. Emerge-se da leitura com a sensação que, para os envolvidos, é absolutamente natural e corriqueiro o ato de assaltar os cofres públicos. Apesar de a prática não constituir surpresa, não deixa de ser chocante a leitura que expõe com crueza o modus operandi nos subterrâneos do poder. Brasília é uma selva, na qual os dentes agudos de políticos, empresários e apadrinhados de alto escalão cravam-se nas carnes frescas dos nossos impostos. 

Os 36 anexos da delação premiada de Cerveró são provas definitivas de que esse câncer que se infiltrou na vida pública nacional tornou-se metástase e corrói cada célula da Nação.… leia mais

Diário da Crise 02/06/2016

ariadne
Teseu e Ariadne. Mestres de Cassoni Campana. Imagem maior: Salvador Dalí – Labirinto.

A cada dia o País mergulha em um grande labirinto de informações. Dos jornais, revistas, TVs e sites emergem tantos nomes, dados, malfeitos e escândalos que mal damos conta de acompanhar tudo com a necessária calma.

Nesse aspecto, as duas principais notícias do dia referem-se a um suposto acordo – que constaria da delação premiada dos executivos da Odebrecht – entre os ex-ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Marcio Thomaz Bastos para anular a Lava Jato; e a  informação do empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, que, também em delação premiada, teria declarado que o ex-chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff usou um contrato do Palácio do Planalto para quitar dívidas da campanha presidencial de 2010.… leia mais