Copo de passarinho

A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto-cruz por minha mãe.

No canto da sala estava a árvore de Natal. Um pinheiro de galhos fininhos que, no dia 1 de dezembro, a mãe decorava com flocos de algodão e delicadas bolas de vidro colorido que ela guardava em uma caixa, no alto do guarda-roupa.  Os enfeites de vidro eram muito frágeis. Uma distração e eles escorregavam das mãos, espatifando-se em mil pedaços. Era uma honra subida receber a tarefa de colocar uma das mini jóias no pinheirinho.… leia mais

Os sofrimentos do jovem universitário

Um rapaz pernambucano viralizou nas redes sociais com um texto de formatura sobre os “sofridos” anos da universidade. O assunto é destaque nos portais de notícia, foi louvado pelos inteligentinhos como “melhor texto de formatura de todos os tempos” e suscitou debates sobre “o que estamos fazendo com nossos meninos universitários”.

Agradeci a Zeus, Odin e Hórus por mais uma demonstração prática de nossa indigência intelectual e de como estamos nutrindo uma geração incapaz de lidar com as questões mais corriqueiras da existência.

A imprensa nacional – agora pautada pelas redes sociais – prefere contrariar Millôr Fernandes e ampliar a voz dos idiotas.

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Hamelin

A passagem de Lula pelo Rio de Janeiro me pôs um gosto amargo na boca. Espetáculo deprimente que me deixou entre a incredulidade e a náusea.
 
Como traduzir o desgosto que senti por testemunhar que tantos brasileiros nada aprenderam com a história recente? Uma desesperança anestesiante por ver parte de nosso povo compactuar, apoiar e incentivar o crime, a corrupção e o populismo mais barato.
 
A voz rouca de Lula despejava uma avalanche de informações manipuladas, abusava de baixezas, argumentos tortos, frases de efeito, provocações baratas. A reação de estudantes e professores? Delírio.
 
O ex-presidente insistia na velha estratégia de incentivar o ódio entre os brasileiros, transferia responsabilidades, apresentava-se como herói e salvador.
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O luxo de ter um deputado honesto

O discurso de Tiririca pôs em êxtase o Brasil.

Em seu primeiro e único pronunciamento, o deputado-palhaço se converteu em novo herói na terra do sebastianismo crônico.

Ouso ocupar a cadeira de psicanalista da Nação para arriscar uma explicação: a da velha projeção dos desejos. Quem ansiava dizer tais coisas diretamente aos congressistas se sentiu vingado. Alma lavada e enxaguada, já diria Odorico Paraguaçu.

 Afinal, o que disse o deputado para tocar a alma brasileira?

Que o Congresso é majoritariamente constituído por homens insensíveis, que não se preocupam com o povo. Nós pensamos assim.

Anunciou que estava decepcionado. Nós também estamos.

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