Casa de flores

Irises-Vincent_van_Gogh
Íris. Vincent van Gogh.

-Vou te fazer uma casa, Soninha.

– Pode ser feita de flor?

E deste dia em diante, ele colheu flores.  Paredes de girassóis, uma porta de rosas: vermelhas, amarelas, brancas.

Janelas de violetas, tapetes de margaridas e um teto de orquídeas. Para vigiar, dentes de leão. Na penteadeira, brincos de princesa. Na sala, lanternas chinesas e a mesa tecida de hortênsias.

Ela leu recostada em íris azuis e amou entre amendoeiras em flor.

Dormiu na cama feita de lírios, coberta por lençóis de angélicas e jasmins.

Um dia acordou e havia, ao lado da cama, uma champa – flor de Bengala. E ela lembrou de onde vinha. Reviu lótus, rios, todas as pedras e o aroma do cardamomo. Levantou apressada, juntou suas coisas e se foi, deixando para trás um coração que fez casa de flor.

5 comentários em “Casa de flores

  • maio 26, 2016 em 5:12 pm
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    Estava sentindo falta das cores nas suas postagens.
    Seu mundo estava muito cinza com tantos diários. Seu mundo não, o nosso mundo.
    Bem vindas cores de Van Gogh, de Mondrian. Bem vindo espiritual Kandinsky
    Bem vinda Soninha.
    bjs

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  • maio 26, 2016 em 5:37 pm
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    Nossa! Que delicadeza e mimosura!
    Puro encantamento! Mas tão fugaz quanto um sonho! 🌸🌻🏵🌼🌺🍃

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  • maio 26, 2016 em 6:17 pm
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    ” … juntou suas coisas e se foi, deixando para trás um coração que fez casa de flor.”…

    E partiu … mas seu perfume, sua inconfundível fragância haveria de impregnar para sempre, eternamente, aqueles que, por algum motivo, haviam com ela dividido o amor pelas flores, e por todas as suas cores.
    Obrigado Sonia Zaghetto, pelas matizes com que nos pinta a alma e os dias.

    Ricardo Daiha

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  • maio 27, 2016 em 12:03 am
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    Amei. Tem cheiro de flor de amor acontecido (de verdade)… Que bom! Obrigada, bom fim de semana.

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  • maio 29, 2016 em 9:22 am
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    Este delicado poema tem a beleza de uma rara flor e a efemeridade de um sonho de amor.
    Minha alma embrutecida pela realidade, agradece, Soninha.

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