Diário da Crise 17/06/2016

A 49 dias das Olimpíadas, o governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública. O documento assinado pelo governador em exercício, Francisco Dornelles, aponta a “grave crise financeira no Estado do Rio de Janeiro, que impede o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016”. É a gota final de fel no cálice de amarguras de um país abatido pelas pragas da corrupção endêmica, da zika, da crise econômica, da microcefalia e da H1N1 que já matou 886 brasileiros nos seis primeiros meses deste ano.

Diante das quantias astronômicas movimentadas pela corrupção que nos rouba o futuro e da explosão de denúncias que atinge os três poderes da República, penso que os dirigentes do Brasil agem como o médico da tela Anatomia do Coração, do pintor espanhol Enrique Simonet y Lombardo. A  pintura mostra um homem velho que segura na mão direita o coração recém extraído do cadáver de uma jovem mulher. Perturbadora tela que me faz lembrar da pobre pátria passiva, ainda tão nova e já abatida, sem sangue correndo nas veias, jazendo sob os olhos impassíveis de velhos homens que lhe arrancaram o símbolo máximo de toda vida.

Como não se compadecer?

Eis as principais notícias do dia.

 

  1. Governo do Rio de Janeiro decreta estado de calamidade pública.  O governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), aponta estado crítico “em razão da grave crise financeira no Estado do Rio de Janeiro, que impede o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016”. Leia.
  2. H1N1 já provocou 886 mortes este ano no Brasil, segundo ministério. Em uma semana, houve um aumento de 122 mortes pelo vírus. Campanha nacional vacinou contra gripe 95,5% do público-alvo. Leia.
  3. Eduardo Filipe Alves Martins, 31 anos, filho do ministro Humberto Martins, do STJ, recebeu R$ 10 milhões por dois processos que tramitaram no próprio STJ. A fatura foi paga com dinheiro da Fecomércio do Rio de Janeiro. Apesar dos altos pagamentos, Eduardo Martins não consta nos processos que ele mesmo registrou nas notas fiscais emitidas. Não tem nem sequer procuração, enquanto as outras bancas de advocacia contratadas pela Fecomércio-Rio atuaram nessas mesmas ações com procuração e fizeram petições. Mesmo sem nenhuma assinatura nos processos, Eduardo Filipe ganhou os honorários de dinheiro público pagos pela Fecomércio do Rio. Leia na revista Época.

 

Lava Jato

  1. PCdoB recebia propina de contratos do Minha Casa Minha Vida, diz delator. Pedro Corrêa diz que corruptos cobravam até 30% de propina por cada casa construída para famílias carentes. O ex-ministro Aldo Rebelo embolsava um terço do dinheiro sujo destinado aos comunistas no esquema. Leia.
  2. Depois de ser mencionado na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o presidente interino Michel Temer (PMDB) também pode ser citado no acordo de colaboração dos dirigentes da Odebrecht. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, intensificou-se o debate entre os advogados que estão negociando o acordo de como Temer aparecerá nos depoimentos. A Odebrecht deu recursos ao PMDB na campanha presidencial de 2014, quando Temer era candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. Os valores podem chegar a 50 milhões de reais, segundo a coluna. O PT teria participado da negociação sobre os repasses ao PMDB. Leia aqui.
  3. O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki homologou a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto, que tem como alvo principal o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Leia.
  4. Jader Barbalho ofereceu banco para gerir propinas. Leia.
  5. Moro marca depoimentos de Mantega, Palocci e Edinho como testemunhas de Odebrecht. Leia.
  6. Janot diz que PT tinha como hábito receber doações mediante ameaças. Alegação consta em parecer que pede envio de investigação de Edinho Silva para Moro. Leia.
  7. O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse, em delação premiada, que recebeu pedido de propina do presidente interino Michel Temer para financiar a campanha de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo em 2012. O valor acertado entre ambos foi de R$ 1,5 milhão. O pagamento teria saído dos cofres da Queiroz Galvão, uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato. Leia.
  8. Renan recebeu R$ 32 milhões de propina, diz Sérgio Machado. Presidente do Senado recebeu R$ 24 milhões em dinheiro vivo. Leia.
  9. Temer nega que tenha intermediado propina para Chalita. Presidente interino diz, por meio de nota, que as informações de Sérgio Machado são ‘inverídicas’. Leia.
  10. Leia aqui a íntegra da delação premiada de Sergio Machado.
  11. Machado sugere que 76% de propinas a políticos não foram doações oficiais. Leia. Leia aqui a íntegra da delação de Sérgio Machado. A Parte 1 e a Parte 2
  12. Renan pretende aceitar pedido de impeachment de Janot. Leia.

 

Eduardo Cunha

  1. Em meio a rumores de renúncia, Cunha se reunirá com aliados e deve fazer pronunciamento. Leia.
  2. Teori nega pedido de suspensão de benefícios garantidos a Cunha. Presidente afastado da Câmara continua tendo direito a residência oficial, transporte aéreo e salário integral. Leia.
  3. Eduardo Cunha recorre ao Supremo para tentar anular bloqueio de bens. Leia.
  4. Janot sugere que Cunha use tornozeleira eletrônica se STF negar pedido de prisão. Procurador-geral apontou cinco medidas alternativas caso o relator da Lava Jato considere ‘descabida’ restrição de peemedebista. Leia.
  5. Para Suíça, processo contra Eduardo Cunha é um marco no combate a corrupção. Leia.
  6. Maranhão diz a deputados que vai retirar consulta feita à CCJ que beneficiaria Cunha. Leia.

 

Pesquisas

  1. Maioria dos brasileiros acha que, com Temer, corrupção fica igual ou maior que com Dilma, diz pesquisa CNT. Leia. Leia a íntegra da pesquisa.
  2. Para 84% dos brasileiros, Temer errou ao nomear ministros investigados. Leia. Levantamento feito pelo Instituto Paraná para o site da revista VEJA indica que mais de 60% dos entrevistados acham que caciques do PMDB alvos de pedidos de prisão vão terminar atrás das grades. Leia aqui a íntegra da pesquisa

 

 

Governo Temer

  1. Temer quer que ministros envolvidos em escândalos se demitam. Presidente interino orientou Padilha e Geddel a conversarem com todo o primeiro escalão. Leia.
  2. Citado em delação, ministro Henrique Alves pede demissão do Turismo. Segundo Sérgio Machado, peemedebista recebeu R$ 1,55 mi em propina.
  3. Alves classificou como ‘levianas’ e ‘irresponsáveis’ as declarações do delato. Leia. 
  4. Conta na Suíça descoberta pela Lava Jato derrubou ministro do Turismo. Leia.
  5. Com saída de Henrique Alves, Temer estuda extinguir Ministério do Turismo. Leia.
  6. Com receio dos impactos da delação de Sérgio Machado na governabilidade e na imagem da gestão peemedebista, o presidente interino, Michel Temer, chamou  de “mentirosas” e “criminosas” as acusações feitas pelo ex-presidente da Transpetro e chegou a dizer que, se tivesse cometido o “delito irresponsável” apontado por ele, “não teria até condições de presidir o país”. Leia.
  7. Meirelles: Proposta para Previdência deve sair em até dois meses. Leia.

 

 

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