Diário da Crise 10/08/2016 – Penélope

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Penélope e os pretendentes. John William Waterhouse.

As   idas e vindas dos processos de perda de mandato de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha parecem a história de Penélope, narrada na Odisseia, de Homero.  A esposa de Ulisses aguardou vinte anos pela volta do marido. Pressionada a casar-se novamente, driblava os pretendentes alegando que, antes, precisava concluir a mortalha que tecia para o sogro Laerte. Mas Penélope usava de um estratagema: durante o dia, diante de todos, ela tecia o sudário; à noite, secretamente, desmanchava o trabalho.

Assim como a tarefa da mitológica personagem, os processos de impeachment e da cassação do mandato de Cunha parecem não ter fim. São tantos esquemas, reviravoltas e recursos que a sensação geral é que tudo anda extremamente devagar. E essa quase imperceptível movimentação angustia a Nação que a tudo acompanha.

No caso de Dilma Rousseff,  o advogado da presidente, José Eduardo Cardozo informou que vai pedir a nulidade do processo porque o relator do processo de impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), teria incluído em seu relatório uma nova denúncia sem relação com o caso inicial: pagamentos feitos em 2015 ao Banco do Brasil e relativos a valores atrasados desde 2008, quando Dilma não era presidente do Brasil. É a mais recente manobra e apareceu menos de doze horas depois de o Senado ter aprovado – por 59 votos a 21 –  o parecer recomendando o julgamento da presidente afastada. Com a decisão, Dilma passou à condição de ré. Para que o Senado a afaste em definitivo, são necessários 54 votos na votação prevista para iniciar no dia 25 deste mês.

Quanto a Eduardo Cunha, sua base de apoio já havia deixado claro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que a cassação de Cunha só poderia ocorrer após o impeachment de Dilma. Uma espécie de prêmio de consolação – algo como a última refeição de um condenado. Dito e feito, hoje, no início da noite,  Maia anunciou que a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara está marcada para o dia 12 de setembro.

Parece-me que a diferença entre Penélope e os nossos políticos é que a esposa de Ulisses tinha um objetivo nobre ao usar seus estratagemas.

Eis as principais notícias do dia:

 

Impeachment

  1. Senadores aprovam parecer, Dilma vira ré e vai a julgamento em plenário
  2. Lewandowski comanda votação, e senadores controlam ânimos
  3. Peça final de acusação é entregue dez horas depois de Dilma virar ré
  4. Governo Temer espera ter 61 votos no julgamento final para afastar Dilma
  5. Apesar de placar folgado, Planalto quer pressa no impeachment
  6. Deputados do PT recorrem à OEA para suspender processo de impeachment
  7. Dilma aceita retirar menção a ‘golpe’ de carta a senadores

 

Eduardo Cunha

 

  1. Sessão de cassação de Cunha está confirmada: 12 de setembro
  2. Base aliada pressiona para votar cassação de Cunha somente após impeachment, diz Maia
  3. Ministro Barroso nega pedido de Cunha para anular convocação de testemunhas

 

Governo Temer

  1. Renegociação com Estados é 1º passo de ajuste estrutural, diz Meirelles

Lava Jato

  1. Palestra de Moro lota auditórios em universidade de Brasília
  2. Moro rebate críticas e defende prisões da Lava-Jato
  3. Presidente mundial da Consist e mais seis viram réus na Custo Brasil
  4. PF e MPF deflagram operação por crimes na Eletronuclear
  5. PF deflagra Miragem e investiga crimes em grupo de comunicação
  6. A Lava Jato chegou ao PSDB
  7. Almirante da Eletronuclear perderá patente
  8. Executivo Alexandrino Alencar, da Odebrecht, negocia delação

Lula

 

STF

STF elege Cármen Lúcia para presidência da Corte e Toffoli como vice

 

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