Diário da Crise – 22/03/2016

cassiusSão escandalosas as informações que vieram a público na 26a fase da operação Lava Jato. Elas revelam um amplo e extremamente bem organizado sistema de pagamento de propina, cujos detalhes foram narrados pela secretária da Odebrecht, Maria Lúcia Tavares, presa na Operação Acarajé. Ela fez um acordo de delação premiada e explicou como funcionava o chamado Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, criado exclusivamente para o pagamento de propinas. Maria Lúcia dispensou os advogados da Odebrecht e, por ter sido ameaçada, entrou para o Programa de Proteção à Testemunha.

Segundo a secretária, todos os pagamentos ilegais constavam de um sistema informatizado, MyWebDay, no qual altos executivos da Odebrecht eram os responsáveis por liberar os pagamentos ilícitos. Planilhas, sob rigoroso controle e com pagamentos diários, logins específicos, codinomes e senhas eram usados à larga, em um sofisticado e espantoso esquema. Maria Lúcia cuidou da contabilidade da propina até o fim de agosto de 2015, quando o setor foi encerrado. Dois meses antes, Marcelo Odebrecht havia sido preso.  Leia os assombrosos detalhes na Veja e no Estadão.

2. Sergio Moro ganhou mais três rounds. O primeiro foi a decisão da ministra Rosa Weber, do STF, que negou o seguimento em uma ação ajuizada pela defesa do ex-presidente Lula para suspender parte da decisão do ministro Gilmar Mendes, na sexta-feira passada. Ainda cabe recurso da decisão.  Moro também foi vitorioso no Conselho Nacional de Justiça, onde a corregedora, ministra Nancy Andrighi, negou dois pedidos liminares contra o juiz federal: um que pedia o afastamento de Moro da função de juiz e, outro, que pedia a proibição das divulgações de delações e escutas feitas pela Lava Jato.

 3. A Comissão do Impeachment tem pressa em acabar a luta. A delação premiada do ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, foi retirada do processo de impeachment em tramitação na Câmara. Na última quinta-feira (17), a Câmara anexou ao pedido de impeachment – por decisão do presidente da Casa, Eduardo Cunha – o conteúdo da delação de Delcídio, no qual o senador faz uma série de acusações à presidente da República. A decisão de retirada da delação foi tomada hoje pelo presidente da Comissão de Impeachment, deputado Rogério Rosso, depois que a oposição desistiu do aditamento por entender que haveria uma brecha para levar o processo a ser questionado no Supremo Tribunal Federal. Mesmo com a desistência, o PT exige que a presidente Dilma Rousseff seja novamente notificada e o prazo para defesa seja reiniciado.
4. Dilma Rousseff  foi para o ataque. A presidente voltou hoje a classificar de ‘golpe’ o processo de impeachment que ela é alvo na Câmara dos Deputados. Durante ato, no Palácio do Planalto, no qual recebeu o apoio de profissionais do meio jurídico, Dilma garantiu: “Jamais renunciarei!”.

3 comentários em “Diário da Crise – 22/03/2016

  • março 22, 2016 em 6:47 pm
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    Excelente o Diário, hoje. Apesar das vitórias do Juiz Moro, essa presidente com seu discurso que me lembrou Lula, que me lembra um Hitler meio retardado, faz com que eu sinta um frio na barriga. Ela clama pelo Impeachment. Isso é preocupante.

    Parabéns pelo texto. Sempre brilhante.

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  • março 22, 2016 em 9:21 pm
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    Olá, Sonia!
    E essa estória de que o Molusco montou seu gabinete no Golden Tulip e atende como Ministro Chefe da Casa Civil já contando com aquela verba separada por Dilmão de 42 bi que seriam do PAC à disposição da Casa Civil? Procede esse zum, zum, zum?

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