E chegou o sol

Se há algo que Montreal está me ensinando é como aproveitar cada momento da vida, tirando o melhor de situações potencialmente adversas. É um povo que não curva ao inverno, que não deixa de fazer coisa alguma por causa da baixa temperatura, das calçadas escorregadias, dos montes de neve acumulados por toda parte.

Depois de três dias e 30 centímetros de neve, eis que o sol chegou. Derreteu uma parte da neve, o vento gelado deu um alívio, os esquilos reapareceram e todo mundo foi patinar e brincar com os filhos no parque. Temperatura de “apenas” -5 graus.

É muito mais agradável caminhar na rua sem aquele vento cortante fustigando o rosto. Aproveitamos o dia para passear a pé pela cidade.

Nos parques, pela manhã, muitos pais ensinavam os filhos pequenos a patinar no gelo ou escorregar de tobogã na neve. A maior parte era formada por homens. Os pais que vi pareciam muito pacientes e amorosos: arrumavam as crianças com cuidado, afivelando os capacetes, ensinando os truques de equilíbrio e fazendo cara de orgulho quando os garotinhos conseguiam dar os primeiros passos. E se eles caíam, sempre diziam um “u-huu”e morriam de rir.

Quem tinha filhos maiores fazia farras homéricas, com direito a guerra de bola de neve, tocaia e corrida de patins. Fiquei com a forte impressão que as mães despacharam maridos e crianças para gastar o máximo de energia possível.

No meio do Parque Molson, no bairro em que moramos, uma senhora fazia evoluções dignas de patinadora artística profissional: giros, rodopios e saltos altíssimos, com direito a patinar de costas e fazer cara de diva.

Já no Parque La Fontaine, lotadíssimo à tarde, havia dezenas de pessoas patinando no lago congelado, cachorros correndo na neve, crianças escorregando de tobogã e gente construindo blocos de gelo coloridos.

O parque é um lugar belíssimo e rende belas fotos. Obviamente, como estava uma temperatura mais amena, os montrealeses da gema tripudiavam sobre os agasalhados, andando só de moletom. A campeã era uma moça, vestida apenas com uma leve camiseta de malha azul, que deixava um dos ombros de fora. Algo tipo Miss Biquini do Gelo.

Entramos no clima e nos divertimos demais, com direito a simulação de quedas e fotos esdrúxulas.

Milou, o mascote

Tem um pet shop aqui no nosso bairro, na rue Beaubien, que tem um cachorrinho, Milou, como mascote. O lugar se chama Nutranimo.

Os produtos são de qualidade e os donos muito simpáticos, mas o cãozinho rouba a cena. O bichinho acompanha a clientela e faz as honras da casa. É muito dócil e aceita carinhos e cafunés. Dá vontade de levar para casa.

Ah, sim, a um sinal do proprietário do Pet, Milou sobe nas pilhas de mercadorias para posar para fotografias com os clientes. Nessa foto à esquerda, Mr. Milou e a Rebeca.

 

 

Comida!

Ando em busca da madeleine perfeita para acompanhar meu chá em Montreal. Comprei essas da foto na farmácia Jean Coutu (sim, na farmácia também vende comidinhas e outros itens improváveis). É fabricada pela boulangerie GY. Nota: 3,5, no máximo. Faltou o toque cítrico essencial.

Por enquanto, a rainha das madeleines (categoria mundial) permanece a empresária, moderna princesa da Disney e confeiteira Camila Sampaio Linhares, de Brasília.

Poutine

Experimentei a poutine, que reza a lenda é a única comida nativa aqui de Winterfell. Muito gostosa. F-e-i-a, porém saborosa. O prato consiste de batata frita e queijo cobertos de molho. Experimentamos o molho mexicano, com pimenta jalapeño na PoutineVille da rue Beaubien. Não fiz fotos porque nem Sebastião Salgado consegue fazer uma foto decente da mistureba com aparência de melequenta. Mas, se vier para cá, experimente sem medo. Vale a pena.

San Gennaro

San Gennaro

Tomamos café da manhã na cafeteria San Gennaro (foto). Honrando o nome do bairro – La Petite Italie (A Pequena Itália) – tem pizza, calzone, canolli, gelato e surpresas como o arancino, croquete de risoto. O café, o chocolate e o cappuccino também são excelentes: padrão italiano.

Alex aproveitou para gastar o italiano com o Paolo, o proprietário.

No fim da tarde, fomos ao Les Folies, que tem um ambiente bem bonito e um menu criativo e saboroso. Os cafés e cappuccinos são muito bons. E o creme brulée é absolutamente impecável.

Uma curiosidade: ao acender a luz do toilette, começa uma musiquinha ou uma historinha em francês. Beeemmm alto, para ninguém escutar ruídos inconvenientes.

 

 

 

 

2 comentários em “E chegou o sol

  • fevereiro 19, 2017 em 1:50 pm
    Permalink

    👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼! Adoro saber das coisas típicas naturais dos lugares. Obrigada!

    Resposta
  • fevereiro 19, 2017 em 3:04 pm
    Permalink

    Gostei de tudo! Mas o cachorrinho foi o máximo!

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *