Uma biblioteca de bairro

Em Montreal o carnaval é um eco distante que chega pelo Facebook. A vida segue sem feriados, sem dias de folia e também sem a pancadaria que vi alguns amigos denunciando. O ano de trabalho e estudo já começou: por volta do dia 10 de janeiro.

Meu filho me convidou para conhecer a Biblioteca do bairro em que moramos, Rosemont-La Petite Patrie. Era um domingo à tarde e a casa estava cheia. Há um saudável hábito de ler nas bibliotecas públicas, que também servem como espaço de lazer e diversão. Observei neste universo paralelo um intenso calendário de atividades, oportunidade de integração cultural em família e com a vizinhança, além de clube de leitura.

Instalada em um belo prédio, a Biblioteca Marc-Favreau tem muita luz e amplidão, móveis novos e bem conservados, computadores idem. O acervo é excelente: de Shakespeare, Camus, Verlaine e James Joyce aos lançamentos modernos. Sem falar em toda a parte audio-visual.

No térreo é a ala infantil. No andar superior ficam os adultos. Além das muitas mesas para estudos e bancadas, há poltronas espalhadas por todo o prédio.

Uma sala especial chama a atenção: localizada em uma área reservada, tem uma lareira e confortáveis poltronas. Ali, os leitores se sentam para ler, aproveitando a claridade natural que entra pelas paredes envidraçadas. Puro deleite.

Uma série de computadores novos e wi fi gratuito estão disponíveis. Se precisar tirar cópia de alguma página, é fácil. Uma copiadora está disponível aos usuários: basta colocar as moedas correspondentes e usar a máquina. Há, ainda, uma pequena cozinha, com pia e máquinas de café, chocolate, cappuccino e petiscos.

Os banheiros são amplos e limpos.

A biblioteca é uma homenagem merecida a Marc Favreau, ator, poeta e comediante canadense. Na coluna da entrada do prédio há uma imagem de seu personagem mais famoso, Sol.

Localizada a poucos passos do metrô Rosemont, a biblioteca Marc-Favreau foi construída no local dos antigos ateliês municipais do bairro. Integrou parte do edifício já existente e uma nova construção foi acrescentada.

Por fim, nós, brasileiros acostumados a orçamentos bilionários em obras públicas, ficamos sabendo que a bela biblioteca custou 18 milhões de dólares, incluindo construção, impostos, concurso de arquitetura (para escolher o projeto), equipamentos e coleções. As fontes de recursos foram o Ministério da Cultura, Comunicações e da Mulher (40%), a Prefeitura de Montreal (40%) e a administração do bairro de Rosemont-La Petite Patrie (20%). Para as despesas operacionais, a cidade de Montreal contribui com 2,6 milhões anuais.

Como eu disse, é um universo paralelo.

 

 

Mais informações:

Site da Biblioteca Marc-Favreau (em francês)

Fotos no Trip Advisor

Galeria de fotos (algumas são minhas e outras são retiradas da página da Biblioteca no Facebook)

Um comentário em “Uma biblioteca de bairro

  • fevereiro 20, 2017 em 10:10 am
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    Nossa! Que coisa maravilhosa! É um deleite imaginar tudo isso e uma tristeza ver como estamos na terra Brasil. Que inveja pura tenho desse povo, queria isso para nós.

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