Diário da Crise 31/03/2016

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…

Vinicius de Moraes. Pátria Minha.

pandora

Dum spiro, spero é um provérbio latino que significa “Enquanto eu respirar, terei esperança”.

Por vezes, observo que as notícias sobre a aparentemente infindável crise abatem o ânimo de muitos que me escrevem para compartilhar temores, desânimo e descrença. E a pergunta que faço, a estes, é: “seremos tão tolos a ponto de permitir que até a esperança nos seja tirada?”. Tenho comigo poucas certezas, mas uma delas é que jamais deve ser sufocada no peito a esperança na reconstrução do país, com mais ética, nobreza e honradez. Já nos tiraram muito; que não nos roubem também a esperança que jaz no fundo da caixa de Pandora. 

Então – com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo – vamos às principais notícias do dia:

  1. O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou hoje a decisão individual do relator da Operação Lava Jato, ministro Teori Zavascki, e manteve momentaneamente em Brasília a investigação na qual o ex-presidente Lula foi grampeado. Significa que o Supremo, e não um juiz de primeira instância (no caso, Sérgio Moro), deverá decidir quem é competente para analisar o processo de Lula, no qual autoridades com foro privilegiado, como a presidente Dilma, também são citadas.  Somente quando for julgar o mérito da Reclamação 23.457, apresentada pela Advocacia Geral da União, é que o STF decidirá se mantém a investigação contra Lula no STF ou se a devolve para o juiz Sérgio Moro, na 13ª Vara Federal do Paraná. Leia mais no Jota.
  2. A revista Veja publicou hoje, no início da noite, uma entrevista exclusiva na qual Otávio Pessoa Cintra, gerente da Petrobras, conta que mandou avisar Dilma da compra superfaturada de Pasadena. No período de 2003 a 2005, Cintra ocupou o cargo de gerente da Petrobras América, no Texas, EUA. Ali, ele teve contato com o escândalo, garante que avisou um deputado do PT e tomou conhecimento em 2014 que Dilma sabia de tudo.
  3. Renan Calheiros – o escorregadio – diz que o rompimento do PMDB com o governo foi “precipitado” e que, se não houver impeachment, é melhor não contar com os peemedebistas na oposição. Leia aqui.
  4. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa e o o professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Ricardo Lodi Ribeiro, falaram hoje à Comissão do Impeachment, que se reuniu para ouvir os dois representantes indicados pelos governistas para fazer a defesa da presidente Dilma Rousseff.  Barbosa disse que não há razão para acusações de crime de responsabilidade fiscal. Ribeiro também negou a ocorrência de crime e ressaltou que a “falta de apoio parlamentar e impopularidade” não são motivos para sustentar um pedido de impeachment.
  5. Depois que o chefe da Força Nacional de Segurança, Adilson Moreira, pediu demissão dizendo que Dilma não tem “escrúpulos”, o Ministério da Justiça divulgou nota em que considerou “graves” as declarações do coronel e que elas podem implicar “falta disciplinar e gesto de deslealdade administrativa”. O Ministério vai instaurar inquérito administrativo e levar o caso à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
  6. Sem saber que sua conversa com alunos era transmitida pelo sistema interno do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que “política morreu” e criticou duramente o PMDB.
  7. PF pede ao STF indiciamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT) e do ex-ministro Paulo Bernardo. Ambos são suspeitos de terem recebido R$ 1 milhão no esquema de corrupção da Petrobras.
  8. Atos em defesa do governo de Dilma Rousseff levaram milhares de pessoas às ruas do País. Em Brasília, onde chegaram 700 ônibus com manifestantes, a Polícia Militar calculou que 40 mil pessoas participam da passeata. Na capital, a presidente recebeu o apoio de artistas.
  9. Dilma demite dois indicados pelo PMDB: o diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), Walter Gomes de Sousa, e o diretor da Companhia Nacional de Abastecimento, Rogério Abdalla. Na semana passada, Dilma já havia exonerado o presidente da Funasa, Antonio Pires, que é ligado ao vice-presidente Michel Temer.
  10. O senador Romero Jucá – cuja versatilidade o fez participar de todos os últimos governos após a redemocratização: de Sarney a Dilma Rousseff – deu entrevista ao Correio Braziliense indicando que, se assumir, Temer tem que “governar” com os melhores.
  11. O Ministério da Educação e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram as áreas mais afetadas pelo corte de R$ 21,2 bilhões publicados ontem no Diário Oficial da União. A edição extraordinária trouxe o detalhamento do novo contingenciamento (bloqueio de verbas), necessário para que o governo cumpra a meta de superávit primário de R$ 24 bilhões. Desta vez o MEC perdeu R$ 4,27 bilhões, mas em fevereiro já havia sofrido bloqueios de R$ 2,216 bilhões. No PAC, os cortes  foram de R$ 3,21 bilhões, sendo que a redução, em fevereiro, já havia somado R$ 4,23 bilhões.  Leia mais na Exame.

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