Sergei Diaghilev: o gênio que revolucionou o ballet

Se há um nome capaz de traduzir a elegância da alta cultura que vicejou na Europa no começo do século 20 é o de Sergei Diaghilev. Empresário de sucesso, amigo e mecenas dos mais importantes artistas de sua época, durante vinte anos ele maravilhou o mundo com o esplendor da arte russa, revolucionou o ballet e revelou o talento de alguns dos  maiores nomes da arte contemporânea.

Serguei Pavlovich Diaghilev nasceu em Perm, na Rússia, em 31 de março de 1872 e consagrou-se como o mais famoso empresário artístico do início do século 20. Sua maior realização foi a criação dos Ballets Russes, a lendária companhia que lançou o primeiro bailarino de fama mundial: Vaslav Nijinsky.

De uma cidade obscura no pé dos Urais, com a infância passada em um lugar remoto e distante das luzes dos grandes centros de difusão artística, ele emergeria para se tornar o líder incontestável de um dos maiores períodos de florescimento cultural do Ocidente. Talvez tenha sido o maior produtor artístico que já viveu.

Mesmo vivendo no interior, Diaghilev teve uma educação refinada e sua cultura era notável. Ainda muito jovem, foi designado pelo príncipe Volkonski para ser delegado nas missões extraordinárias dos teatros imperiais russos. Aí começaria a sua ligação com o ballet. 

Pouco depois, fundou o jornal “O Mundo da Arte”, que divulgava a pintura e arte russas. Em 1905, após mais de um ano visitando diferentes regiões de seu país, organizou, no palácio Tauride, em São Petersburgo, uma importante mostra de pinturas russas descobertas por ele durante as viagens. No ano seguinte, levaria uma grande exposição de arte russa ao Petit Palais, em Paris, iniciando assim um longo e produtivo processo de intercâmbio cultural com a França. Depois de apresentar cinco concertos de música russa na capital francesa, voltou em 1908 com uma montagem de Boris Godunov, de Mussorgsky, para a Ópera de Paris.

O sucesso estrondoso fez com que no ano seguinte regressasse à França não só com ópera, mas também com um ballet: a sua própria companhia, os Ballets Russes, organizada e dirigida por ele com mão de ferro.

A acurada inteligência de Diaghilev observava as novas correntes artísticas que surgiam e selecionava as que lhe pareciam mais promissoras. Embora muito aberto às inovações e dono de gosto eclético, zelava pelas tradições clássicas. Não as queria destruir, mas fazê-las evoluir e renovar-se.

Com a ajuda de alguns mecenas que ele buscava em seu círculo de amizades da nobreza, descobriu, revelou e patrocinou grandes talentos da dança, da música, da pintura e da poesia. Entre eles o coreógrafo George Balanchine e os bailarinos Vaslav Nijinsky, Anna Pavlova, Tamara Karsavina, Olga Spessivtseva, Natalia Dubrovska, Adolf Bolm, Aleksandra Danilova, Serge Lifar e Léonid Massine. Este último, que sucedeu Nijinsky e também se destacou como coreógrafo, quando em turnê pelo Rio de Janeiro, em 1927, influenciou a criação do Corpo de Baile do Teatro Municipal.

Foi também Diaghilev que deu suporte e divulgação a compositores do porte de Stravinsky, Glazunov Tcherepnine, Nicolai Rimski-Korsakov, Claude Debussy e Maurice Ravel, Prokofieff. A Debussy encomendou a música do ballet Jeux, de 1913; a Ravel pediu Daphnis et Chloé; a Erik Satie encomendou Parade e a Richard Strauss, Josephs-Legende. O compositor-colaborador mais notável de Diaghilev, entretanto, foi mesmo Igor Stravinsky. Diaghilev ouviu os primeiros trabalhos orquestrais de Stravinsky, Fireworks e Scherzo fantastique, e ficou impressionado o suficiente para pedir ao músico que lhe fizesse arranjos de algumas peças de Chopin para os Ballets Russes. Em 1910, ele encomendou sua primeira partitura do próprio Stravinsky, The Firebird (O Pássaro de Fogo), dançado por Nijinsky. Petrushka (1911) e A Sagração da Primavera (1913) vieram pouco depois. Os dois trabalharam juntos, ainda, em Les Noces (1923) e Pulcinella (1920).

Entre os pintores que lhe mereceram a atenção estavam Matisse, Braque, Miró, Dalí, Picasso, Chagall e Kandinsky. Pablo Picasso desenhou os figurinos e o cenário de Pulcinella. O escritor Jean Cocteau fez o libreto de Le Train Bleu. A propósito, os figurinos deste ballet são de Coco Chanel.

O grande coreógrafo de Diaghilev foi Mikhail Fokine, que ganhou prestígio internacional ao se juntar aos Ballets Russes. Fokine, considerado o maior expoente na coreografia do século XX, era ousado na medida certa e um renovador inspirado cujas criações ainda hoje fazem parte do repertório das grandes companhias de ballet. Entre suas mais famosas coreografias estão La Sylphide, A Bela Adormecida, O Espectro da Rosa, Scheherazade, Petrouchka e Daphnis e Chloé.

A estréia que mudou a história do ballet

Leon Bakst, vestes de O Pássaro de Fogo

Os Ballets Russes estrearam a 19 de Maio de 1909, no Théâtre du Châtelet, em Paris, e mudaram para sempre a dança clássica. A partir de então, e pelas duas décadas seguintes, a companhia converteu-se em um dos mais importantes motores da cultura do século XX.

Tudo nos Ballets Russes era criatividade transbordante. A um público acostumado a espetáculos que não rompiam com a tradição assentada, a companhia trouxe um mundo novo de cores e sons fortes, que pareciam algo exótico, porém muito belo e atraente. A platéia foi ao delírio. As coreografias de Fokine, com cenários e guarda-roupa dos grandes pintores modernistas, a música dos novos compositores e a ousadia do diretor artístico Léon Bakst formavam um conjunto grandioso, com uma liberdade jamais vista. Deixavam para trás o exclusivo domínio do academicismo e da rigidez do cânone, unindo à técnica clássica temas folclóricos e música inovadora, contribuindo para desenvolver um ballet mais complexo, com elementos destinados a alcançar o público em geral e não apenas a aristocracia. Com os Ballets Russes o século XX viu, ainda, o ballet se converter em sinônimo de arte russa e descobriu que artistas de vários segmentos podiam trabalhar juntos em um mesmo projeto.

No início do século 20 ainda prevaleciam os esquemas harmônicos rígidos que forçavam os padrões rítmicos a permanecerem relativamente simples. Diaghilev muito contribuiu para adaptar ao ballet as novidades que surgiam na música. Reza a lenda que quando Ravel usou um tempo de 5/4 na parte final de Daphnis e Chloe, os bailarinos dos Ballets Russes cantavam Ser-ge-dia-ghi-lev durante os ensaios para manter o ritmo correto.

Também nos figurinos os Ballets Russes mudaram completamente o ballet. Até então, os costureiros faziam as vestes dos bailarinos com poucas inovações e os artesãos pintavam os cenários com paisagens. Diaghilev chamou artistas para fazer esses trabalhos. De repente, no palco estavam cenários espetaculares e belíssimas roupas, confeccionadas com ricos tecidos, coloridos e de alto impacto visual.

De imediato, a companhia ganhou uma estrela, Vaslav Nijinsky. O bailarino tornou-se o preferido do público parisiense, mesmerizado por sua graça e força física, além dos saltos que pareciam desafiar a lei da gravidade, já que ele, com uma complexa técnica de batimento dos pés, parecia imobilizar-se no ar. “É só subir e parar um pouquinho lá em cima”, divertia-se Nijinsky, alimentando a mística.

Um escândalo

Em 1912 Nijinsky tinha 23 anos e, após duas temporadas em Paris, era um jovem deus de sapatilhas, muito belo e de sensualidade à flor da pele. Dezoito anos mais jovem que Diaghilev, era seu amante e teve total apoio do parceiro para encenar seu primeiro balé, L’Aprés-midi d’un Faune (A Tarde de um Fauno), inspirado em um poema do simbolista francês Stéphane Mallarmé, com música de Debussy e cenografia de Leon Bakst.

Foi um escândalo: composto por movimentos e posturas inspirados nos vasos gregos que se encontravam no Museu do Louvre, com os personagens apresentados de perfil em movimentos muito sensuais, o ballet chocou de imediato o público parisiense que, apesar de mais aberto a novidades, não estava preparado para ver um fauno lúbrico perseguindo ninfas em cena.

Para completar a inenarrável ousadia para a época, a cena final mostra o fauno segurando um diáfano véu que uma ninfa deixa cair. Lentamente ele se deita no palco e inicia os movimentos de um ato sexual enquanto as cortinas se fecham e a platéia mergulha em sepulcral silêncio. Sim, há 115 anos Nijinsky simulou uma cena de masturbação perante todo o beau monde de Paris. O erotismo explícito e vanguardista incendiou a cidade nos dias subsequentes e as apresentações seguintes receberam vaias e aplausos. A crítica se dividiu. Para o Le Figaro, era obscena e o “fauno lascivo, cujos movimentos são imundos e bestiais em seu erotismo, tem gestos tão cruéis quanto indecentes”, mas Auguste Rodin e Marcel Proust aprovaram a provocação. Rodin escreveu: “Nijinsky nunca foi tão esplêndido como em seu último papel. Não mais saltos – nada mais que gestos e poses de animais semi-conscientes. Ele se deita, se apoia no cotovelo, anda com os joelhos dobrados, levanta-se, avança e recua, algumas vezes devagar, às vezes com bruscos movimentos angulares. Seus olhos piscam, ele estende os braços, abre as mãos para fora, os dedos juntos, e, enquanto afasta a cabeça, continua a expressar seu desejo com uma falta de consciência deliberada que parece natural A forma e o significado estão indissoluvelmente casados em seu corpo, que expressa inteiramente o que lhe passa na mente… Sua beleza é a de antigos afrescos e esculturas. Ele é o modelo ideal, que se deseja desenhar e esculpir”. Qualquer um que tenha visto essa raríssima filmagem do ballet original (assista aqui) ou apreciado Rudolf Nureyev repetir a coreografia de Nijinsky há de concordar com Rodin (assista aqui a versão de Nureyev).

No ano seguinte, outra polêmica criada por Nijinsky e Diaghilev: A Sagração da Primavera (Le Sacre du printemps). A idéia original era mostrar um ritual pagão que culminava com o sacrifício de uma virgem, que dança até a morte. Um tema selvagem, com sacrifícios humanos primitivos e forte carga erótica. A partitura de Stravinsky era completamente distante de tudo o que se compunha à época, plena de dissonâncias, assimetrias e politonalidades. Além do choque com a música, a coreografia desarmou o público, que não sabia como reagir perante os bailarinos que abandonavam a idéia de corpo de baile e não davam aos movimentos qualquer intenção narrativa. Os extraordinários figurinos traziam apliques de osso sobre peças de lã, e pareciam quentes, molhados e pesados sob as luzes. A apresentação, no Teatro da Ópera de Paris, terminou em tumulto e escândalo. A platéia se amotinou, atirou objetos no palco e tornou histórica a primeira apresentação do espetáculo.

Na vida pessoal, Diaghilev era chamado Serge. Dividia-se entre o empresário exigente e a ação paternal e generosa com seus funcionários. Sua figura de fartos bigodes, monóculo, cabelos engomados e echarpe no pescoço era sinônimo de elegância. Dele se dizia que detestava contatos físicos, temendo contágio por germes; e que era supersticioso: por causa de uma predição,  acreditava que morreria afogado e por isso jamais viajava de navios ou mesmo botes. Morreu em decorrência de diabetes, mas em Veneza, cercado de água.

Diaghilev era conhecido como duro no trato, despótico e até mesmo assustador. George Balanchine narrou que ele carregava uma bengala durante os ensaios e a batia no chão, irritado, quando algo o desagradava. Outros dançarinos diziam que ele poderia derrubá-los com um olhar ou com um comentário gélido.

Por outro lado, todos narram seus atos de grande bondade. Como quando, desamparado e com sua empresa falida durante a I Guerra Mundial, ele deu seu último lote de dinheiro para Lydia Sokolova comprar remédios e pagar um médico para sua filha. Alicia Markova era muito jovem quando se juntou ao Ballet Russes e mais tarde diria que Diaghilev cuidou dela como uma filha. Bailarinos como Tamara Karsavina e Serge Lifar também se lembravam de Diaghilev com carinho, como uma figura paternal e severa que colocava as necessidades de seus dançarinos e da companhia acima das suas. Retirava para ele apenas um salário e, embora no fim da vida gastasse muito dinheiro em uma esplêndida coleção de livros raros, vários interlocutores perceberam que seus ternos impecáveis ​​já mostravam-se desgastados.

Diaghilev demitiu Nijinsky sumariamente dos Ballets Russes após o súbito casamento do bailarino com a condessa Romola Pulszky em 1913, durante uma turnê da companhia à América do Sul. Romola era obcecada pelo bailarino , mas convenceu Diaghilev que queria apenas financiar a empresa. Sem Diaghilev por perto, Nijinsky foi induzido a se casar com a rica húngara pelo barão de Gunsbourg, um investidor nos Ballets Russes que estava interessado em formar sua própria companhia e apostou no rompimento entre o empresário e sua principal estrela. Quando o navio parou no Rio de Janeiro, o casal comprou as alianças. Gunsbourg correu para arranjar o casamento, recebendo permissão da mãe de Romola, por telegrama. O casal se casou em 10 de setembro de 1913 em Buenos Aires e o evento foi anunciado à imprensa mundial. Diaghilev jamais perdoou “a ingratidão de Nijinsky, a traição de Romola e sua própria estupidez”.

Nijinsky voltou a dançar com os Ballets Russes, mas a relação entre ele e Diaghilev nunca foi restabelecida. Além disso, a magia de Nijinsky como artista diminuía por conta da esquizofrenia que começava a se manifestar. Na última vez que ele e Diaghilev se viram, Nijinsky não reconheceu o antigo amante. O mítico bailarino morreu em um hospital de Londres, após 30 anos lutando com a doença psiquiátrica.

Uma noite no Majestic

Em seu livro Uma Noite no Majestic, o escritor britânico Richard Davenport-Hines toma como pretexto o chamado grande jantar modernista de 1922: uma festa no Hotel Majestic, em Paris, dada para celebrar a primeira apresentação de Renard, de Stravinsky, pelos Ballets Russes. Entre os convidados estavam Pablo Picasso, James Joyce e Marcel Proust. Esse jantar de reputação sacramental é tido como a primeira e última ceia do modernismo. Seus detalhes são místicos. Não se sabe exatamente quem estava presente porque os anfitriões – Violet e Sydney Schiff, socialites londrinas amantes da arte  – jamais divulgaram a lista de convidados. Diaghilev, que era o homenageado da noite, surgiu com os cabelos usualmente brilhantes, mas desta vez usava neles uma cera com perfume de flor de amêndoa. Os poucos detalhes que se sabe são extraordinários. Proust surgiu pálido e doentio (ele morreu seis meses depois) e tentou fazer amizade com Stravinsky, mas ao elogiar os últimos quartetos de Beethoven, ouviu do compositor uma resposta nada polida: “Detesto Beethoven”, teria dito o russo, enquanto se afastava. Proust então trocou elogios com Joyce, embora nenhum dos dois tivesse lido nada do outro. Conta-se que conseguiram concordar sobre trufas, que ambos apreciavam.

Parte do folclore em torno da festa dá conta que Joyce estava desconfortável porque não tinha roupas adequadas, chegou bêbado e caiu sobre a mesa. Picasso,  que também não queria ir, violou deliberadamente o dress code e surgiu com um lenço de pirata catalão na testa. Nijinsky, com seus músculos delineados sob calças apertadas, dividia as atenções dos convivas com a princesa lésbica e dominatrix Edmond de Polignac, que parecia um chefe indígena americano. Ou seja, a classe artística caprichou na construção da lenda.

Homossexualidade e Revolução Russa

Após a Revolução Russa de 1917, Sergei Diaghilev permaneceu no exterior. Uma hipótese para seu exílio era a intolerância russa à homossexualidade. Apesar de toda a sociedade da época rejeitar os homossexuais, Paris era a cidade mais tolerante neste aspecto. Tão logo o novo regime compreendeu que ele não voltaria à Rússia, condenou-o como exemplo particularmente insidioso da decadência burguesa. Os historiadores de arte soviéticos diminuiram-lhe a importância por mais de 60 anos.

No ano de 1921, Diaghilev encenou A Bela Adormecida, de Tchaikovsky, em Londres. Era uma produção suntuosa  em cenários e trajes, mas, apesar de ser bem recebida pelo público, foi um desastre financeiro para Diaghilev e Oswald Stoll, o proprietário do teatro. O primeiro elenco incluiu a lendária bailarina Olga Spessivtseva e tendo Lyubov Yegorova no papel de Aurora. Diaghilev insistiu em chamar o balé de A Princesa Adormecida. Quando perguntado sobre a razão da mudança, brincou: “Porque não tenho belas!” Os últimos anos dos Ballets Russes foram considerados intelectuais demais ou excessivamente refinados. Assim, raramente alcançaram o sucesso incondicional das primeiras temporadas, embora coreógrafos mais jovens como George Balanchine tenham atingido alto sucesso no período.

Diaghilev morreu em 19 de agosto de 1929, em Veneza. Sua sepultura encontra-se na ilha de San Michele, perto do túmulo de Stravinsky.

Legado

Após a morte de Diaghilev, os Ballets Russes desapareceram. Muitos membros, entretanto, passaram a fundar companhias e estúdios de dança em vários países. Nos Estados Unidos, George Balanchine; na Inglaterra, Ninette de Valois e Marie Rambert; em Paris, Serge Lifar. Aliás, Lifar, durante a Segunda Guerra Mundial, salvou dos campos de concentração muitos judeus e bailarinos pertencentes e grupos minoritários perseguidos pelos nazistas.

Para saber mais:

Filmes

Nijinsky, direção de Herbert Ross. 1980. (Assista ao trailer aqui)

The Red Shoes, direção de Michael Powell. 1948.

Livro

Uma Noite no Majestic, de Richard Davenport-Hines

Vídeos

100 anos da Sagração da Primavera . O ballet é reencenado com o figurino e cenários originais.

Arquivos

O departamento de Teatro e Performance do Victoria and Albert Museum, em Londres, abriga a Coleção Ekstrom da Fundação Diaghilev e Stravinsky, da qual fazem parte registros financeiros, cartas e telegramas relacionados à administração dos Ballets Russes, bem como de outros aspetos pessoais e sociais da época.

 

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