Três Guinéus

virginia2Virginia Woolf é minha autora favorita. Sua escrita sofisticadíssima e criatividade transbordante me fascinaram desde o primeiro instante. Ler Orlando, seja no original ou na impecável tradução de Cecília Meireles, é um presente ao espírito.

Mas foi um livro menos famoso, Three Guineas (Três Guinéus), que me impressionou profundamente, por refletir sobre a até então esquálida participação feminina na política, na literatura e na ciência. Ao lê-lo, tornou-se muito mais evidente o quanto a humanidade perdeu por confinar suas mulheres às alcovas e cozinhas. Ainda hoje sinto uma enorme tristeza ao pensar que houve mulheres tão magníficas quanto Hipatia de Alexandria, Marie Curie, Ada Lovelace, Camille Claudel, Hannah Arendt e a própria Virginia Woolf que jamais puderam expressar seu brilhantismo por viverem em países e épocas que não lhes permitiam o acesso ao estudo e ao trabalho. Puseram filhos no mundo, amaram certamente e leram romances açucarados, enquanto de longe contemplavam os portões das universidades fechados para elas. Poderiam – essas irmãs do passado – ter visto as estrelas como os sóis que verdadeiramente são, em vez de luzinhas que romantizam as noites.

Felizmente, hoje há uma diferente realidade (embora ainda haja muito a conquistar) e creio que a maior homenagem que se faz às mulheres – e, por consequência, a toda a humanidade – é buscarmos todos, independente de sexo, o cultivo do intelecto, educando-nos com a alta literatura, refletindo com os filósofos, refinando-nos no contato prazeroso com a arte e buscando a ciência para contrapor suas descobertas às superstições que remanescem. Emergiremos disso no mínimo mais dispostos a combater os resquícios de preconceito com argumentos lógicos em vez de teatralidades vazias.

virginia

 

Um comentário em “Três Guinéus

  • março 13, 2016 em 9:09 am
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    …é buscarmos todos, independente de sexo, o cultivo do intelecto, educando-nos com a alta literatura, refletindo com os filósofos, refinando-nos no contato prazeroso com a arte e buscando a ciência para contrapor suas descobertas às superstições que remanescem… Just Beautiful

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