As mãos de minha Mãe

Sonia Zaghetto

Tardezinha, hora do Ângelus, e minha mãe orava no quintal de nossa casa pobre. Mal soavam as seis horas da tarde e ela tudo deixava, cerrava os olhos devagar e fazia o sinal da cruz. Herança portuguesa a de minha mãezinha.

Diante de seus santos silenciosos, do terço e dos cadernos em que anotava os nomes dos sofridos, ela orava. E suas preces sopravam bálsamos de amor sobre mim e meus irmãos, meu pai, parentes distantes, afilhados, comadres e vizinhos. Como amava aquele coração.

Lembro de suas mãos, que pousavam na minha testa nos dias em que a asma me aniquilava.… leia mais