Simplicidade

Silence tells me secretly everything (Let the sunshine in). 

Sinto um prazer imenso quando os domingos nascem mergulhados em silêncio. É como se as coisas simples da vida acordassem junto com a gente.

Brasília é pródiga em passarinhos piando ao amanhecer. Ouvi-los, uma delícia reservada a ouvidos onde o amor fez morada.

Se há vento para agitar as folhas das árvores, tenho-o como lucro na contabilidade da vida. E se o ruído de algum carro quebra o encanto das horas, cogito seriamente liderar uma cruzada nacional para que só se saia de carro aos domingos em casos muito urgentes, como parto iminente, perna quebrada, caso de doença grave ou vontade de cantar “Good morning starshine” num conversível.… leia mais

Copo de passarinho

A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto-cruz por minha mãe.

No canto da sala estava a árvore de Natal. Um pinheiro de galhos fininhos que, no dia 1 de dezembro, a mãe decorava com flocos de algodão e delicadas bolas de vidro colorido que ela guardava em uma caixa, no alto do guarda-roupa.  Os enfeites de vidro eram muito frágeis. Uma distração e eles escorregavam das mãos, espatifando-se em mil pedaços. Era uma honra subida receber a tarefa de colocar uma das mini jóias no pinheirinho.… leia mais