De cidade e de flor

Quando cheguei, meio metro de neve cobria as calçadas. Nas ruas silenciosas, um vento gelado fazia doer os ossos do rosto. A paisagem de cartão de Natal encantou meus olhos tropicais.

Aprendi de imediato que os canadenses são valentes. Inverno é a sua época mais produtiva: todos estudam e trabalham. O frio a ninguém paralisa – faz parte da vida. Os vizinhos não se intimidam de, às 7 da manhã, com o termômetro a -15 graus, saírem, munidos de pás, para praticamente desenterrar os carros e abrir o caminho obstruído pela neve. Trabalho encerrado, colocam a pá no porta-malas e seguem.… leia mais

Uma biblioteca de bairro

Em Montreal o carnaval é um eco distante que chega pelo Facebook. A vida segue sem feriados, sem dias de folia e também sem a pancadaria que vi alguns amigos denunciando. O ano de trabalho e estudo já começou: por volta do dia 10 de janeiro.

Meu filho me convidou para conhecer a Biblioteca do bairro em que moramos, Rosemont-La Petite Patrie. Era um domingo à tarde e a casa estava cheia. Há um saudável hábito de ler nas bibliotecas públicas, que também servem como espaço de lazer e diversão. Observei neste universo paralelo um intenso calendário de atividades, oportunidade de integração cultural em família e com a vizinhança, além de clube de leitura.… leia mais

E chegou o sol

Se há algo que Montreal está me ensinando é como aproveitar cada momento da vida, tirando o melhor de situações potencialmente adversas. É um povo que não curva ao inverno, que não deixa de fazer coisa alguma por causa da baixa temperatura, das calçadas escorregadias, dos montes de neve acumulados por toda parte.

Depois de três dias e 30 centímetros de neve, eis que o sol chegou. Derreteu uma parte da neve, o vento gelado deu um alívio, os esquilos reapareceram e todo mundo foi patinar e brincar com os filhos no parque. Temperatura de “apenas” -5 graus.

É muito mais agradável caminhar na rua sem aquele vento cortante fustigando o rosto.… leia mais

Arte, arte em toda parte!

Le temps de s’adorer
De se le dir’… Le temps
De s’fabriquer des souvenirs…
(Piaf. Mon Dieu)

Pour toi, mon fils adoré.

A música estava bem pertinho dos ouvidos e do coração. Na segunda fileira de bancos, ouvíamos a respiração dos músicos, acompanhávamos os sorrisos e olhares que trocavam, captávamos quando a melodia escapava dos instrumentos e estendia suas carícias até nós. As notas fluíam pela nave da catedral anglicana Christ Church, em Montreal, visitavam os santos e os escaninhos, salpicando bálsamos na alma da gente. De vez em quando, meu filho se voltava para mim, com os olhos brilhantes e um sorriso feliz e cúmplice.… leia mais

De neve e de sol

Fiz uma longa reflexão sobre a neve.

Rebeca, minha nora, me disse que, em geral, aqui em Montreal as pessoas ficam mais introspectivas nessa época do ano. É um tempo para ficar em casa, dar atenção à família e de refletir sobre si mesmo. No verão, quando as temperaturas são dignas de verão carioca, é uma efervescência: churrascos, festas na rua, todo mundo varando as noites.

Até os relacionamentos aqui seguem esse ritmo ditado pela temperatura dos dias. O verão é a época de conseguir um namorado ou namorada. No outono se cultiva esse relacionamento. No inverno, é a consolidação. Quase ninguém se separa no inverno – mesmo porque dá um trabalho enorme fazer mudança a uma temperatura de 20 graus negativos.… leia mais