O Japão é um lugar onde os contrastes se encontram em uma espécie de dança, inesperada e desarmante. Cenários futuristas e templos centenários se entrelaçam em surpreendente harmonia; há ruas superpovoadas e silêncio, um convite constante ao excesso e simultaneamente à contemplação; minimalismo e cultura otaku. Um lugar em que telas de LED e arranha-céus convivem com antigas lanternas de pedra, guardiãs das sombras e das luzes de tempos recuados. Um país em que o coração se aquieta naturalmente, seja pela polidez de seu povo, seja pela segurança que permeia cada recanto.

Visitei o Japão pela primeira vez no outono de 2023. Um tempo inesquecível, no qual mergulhei sem reservas em um dos lugares mais belos do nosso planeta. Escolhemos Tóquio, Kyoto, o Monte Fuji, Hakone e Okinawa, cada um com sua identidade distinta – delicados versos de um haikai geográfico.

Recebi cada um desses lugares com os seus dourados e vermelhos outonais, sentindo no rosto as brisas a carregar folhas de bordo e de ginkgo, repetindo haikus de Basho, trechos de Lady Murasaki e ecos de outros poetas, pois os livros viajam com a gente, escondidos na carne macia do coração.

O Japão não se entrega de imediato. Vai se revelando aos poucos, despertando os sentidos. Mesmo agora, neste texto, percebo como ele vagarosamente se afasta da concretude dos parágrafos iniciais para se entregar a uma linha abstrata e poética nas palavras finais. Cada um dos lugares japoneses guarda a sua própria narrativa. Tóquio, com luzes cegantes e becos ocultos; Kyoto, onde o passado respira entre templos de madeira e jardins zen, emoldurado pelo perfume do incenso e pelo ritmo pausado do chá. Okinawa, um Japão azul e inesperado, em que as águas transparentes do Pacífico velam pela memória dos mortos nas guerras e contam histórias de resiliência. E o Monte Fuji, reinando soberano sobre a paisagem.

A cada esquina, o Japão convida à descoberta, à escuta, à imersão. É um país que não se esgota. Bem ao contr’ario, a cada passo se aprofunda no corpo e no espírito do visitante.

Enquanto observa os sentidos do turista despertarem para seus segredos e mistérios, o país lhe sussurra o antigo provérbio inspirado nas imortais palavras de Lao-Tse: “Até mesmo o caminho mais longo começa com um único passo”.

O Japão é paciente. O Japão sabe esperar.

(Texto e fotos de Sonia Zaghetto)

Tóquio

Lost in translation, o título do filme com Scarlett Johansson e Bill Murray, define bem o nosso primeiro dia. Tokyo ofereceu inicial lição de humildade a mim e ao meu filho. Se tem turista, tem vexame. Não escapamos à sina. Analfabetos em japonês, conhecendo apenas meia dúzia de palavras no idioma e recorrendo ao celular para traduzir cardápios, rótulos de produtos e anúncios urbanos, passamos algum tempo tentando nos orientar nas ruas e nas intrincadas linhas de metrô da imensa metrópole. Ainda assim, o sistema de transporte urbano de Tóquio nos flagrou perdidos entre as estações. Fomos salvos pela proverbial gentileza japonesa, que nos conduziu pela mão (literalmente) aos lugares certos.

Passamos o primeiro dia em Asakusa, perambulando pelas lojas tradicionais na Nakamise-dori. Uma diversão! Nakamise é a rua de compras mais famosa de Asakusa. Ela se estende por 250 metros a partir do portão Kaminarimon até o Sensō-ji, o templo budista mais antigo de Tóquio, datado em 645 d.C. Alinhadas em ambos os lados da rua há lojas que vendem souvenirs, refeições, roupas e toda sorte de objetos. É como trafegar na antiga Tokyo. Espremidos entre milhares de japoneses e turistas, percorremos as ruas apinhadíssimas, vendo gueixas, artistas de rua, gente usando máscara do Pikachu. Todo mundo sorridente, tomando sorvete e comendo docinhos de pasta de batata doce que parecem pequenas joias.

Jantamos em um lugar muito simples, mas que nos serviu uma das mais deliciosas refeições no Japão. Ninguém falava inglês, mas conseguimos sobreviver com a ajuda dos tradutores no celular, sob os olhares divertidos da proprietária que, com o guardanapo no ombro, fritava tudo (de enguias até shitakes gigantes) bem na nossa frente. Ao nosso lado, um casalzinho sorridente, com roupas combinando, nos ajudava a não passar vergonha. Lindos em sua gentileza, assim como a moça que nos conduziu pelo labirinto da estação de metrô.

No fim da jornada, voltamos ao Templo Senso-ji, que brilha com a iluminação noturna. É um santuário magnífico, vermelho. Em torno dele, o perfume do incenso e a brisa da noite convidam a meditar. Caminhamos calmamente pelas ruas – então mais tranquilas – e nos despedimos do portão Kaminarimon. Paramos alguns minutos para apreciar a enorme construção de quase doze metros de altura, com uma imensa lanterna vermelha. Ali é o território dos deuses Fujin e Raijin. Furaijinmon, o nome formal do lugar, significa “o portão do deus do vento e do deus do trovão”. Na parte de trás do portão, há as estátuas dos deuses budistas Tenryu e Kinryu. Esses espíritos de dragões aquáticos protegem o portão de futuros incêndios. Há uma forte razão para isso: embora erguido há mais de mil anos, o portão foi destruído várias vezes por incêndios. Ao visitar os templos japoneses você notará que grande parte deles sofreu o mesmo destino.

Shinjuku foi a nossa escolha para o segundo dia. Um dos bairros mais movimentados de Tóquio, é conhecido por sua energia frenética, arranha-céus magníficos, neon hipnotizante e uma mistura de modernidade e tradição. Ele é um dos 23 distritos especiais da capital japonesa e um dos principais centros comerciais, culturais e de entretenimento da cidade.

Se há um epicentro do século XXI, ele talvez esteja em Shinjuku. O tempo parece dobrar sobre si mesmo – um minuto pode se dissolver por completo no cruzamento de Shibuya. É uma das imagens mais famosas do Japão esse cruzamento em que, vistas do alto, as multidões avançam sincronizadas como um cardume urbano. Inesquecível.

Nos becos de Golden Gai, percorremos as ruas mal iluminadas,de aparência decadente, frequentadas por gente abastada, artistas e intelectuais dados a poses blasé. Os bares, clubes e restaurantes, muitos deles exclusivos e não acessíveis a estrangeiros, são, em média, do tamanho de um elevador mas as contas e os uísques nada têm de modestos. Sem fazer fotos, pois é obrigatório pedir autorização, percorremos as seis vielas estreitas que evocam a aparência de Tóquio antes do chamado milagre econômico japonês. Em outras palavras, o valor dessas ruelas conectadas por passagens escuras e estreitas – algumas têm largura suficiente para uma única pessoa passar – é ser o retrato congelado de um Japão ancestral, e de uma pobreza hoje inteiramente desaparecida.

E então visitamos Akihabara, em que a eletricidade parece ter se condensado, criando um mundo paralelo. É o ninho da cultura otaku, que reúne a comunidade de fãs obcecados por animes, mangás, videogames, idols, cosplay e outros elementos da cultura pop japonesa. Tudo brilha, pisca, reluz e ofusca. As lojas são enormes, algumas ocupam vários andares e atuam como verdadeiros templos do colecionismo: miniaturas de bonecas sexy e de personagens de videogame, posters, edições especiais de mangás.

Também é em Akihabara que se encontram as maids, um fenômeno cultural que mistura cosplay, serviço e fantasia. Usando vestidos curtos (alguns com avental e babados semelhantes ao das empregadas vitorianas), meias e acessórios como laços e pulseiras, elas abordam os potenciais clientes nas ruas, convidando-os para os maid cafés, nos quais o serviço está a cargo de garçonetes também com aparência e voz infantilizada, usando maria-chiquinha, franja, tiaras ou orelhas de gatinho. Ali, o visitante tratado como “mestre”, recepcionado com exagerada atenção e seduzido com gestos kawaii (fofinhos).

Surgidos a partir dos anos 1990 em Akihabara, e inspirados em personagens femininas de anime e mangá, os maid cafés foram criados para oferecer aos clientes um ambiente que mistura imaginário romântico e a ideia de uma servidão gentil e carinhosa. As maids não são apenas garçonetes. Elas fazem parte da experiência: desenham corações nos pratos servidos e adotam maneirismos fofos ao falar, incluindo voz mais aguda e expressões caricatas, a fim de criar a ilusão de um mundo encantado. Os clientes podem convidá-las para jogos de tabuleiro ou de cartas, números de dança e canto, ou simples conversas. Mediante pagamento de taxa extra, pode fazer fotos com as maids.

Outro lugar imperdível em Tóquio é Harajuku. Sejamos sinceros: não é apenas um bairro. Está mais para um fenômeno cultural. Localizado entre Shibuya e Shinjuku, Harajuku tornou-se sinônimo de experimentação, moda irreverente e uma fusão singular entre tradição e modernidade. A energia da juventude transborda ali. Em Harajuku as pessoas ousam ser fiéis a si mesmas, sem medo do julgamento de estranhos. E o fazem não para desafiar ou agredir, mas para a sua própria alegria.

A rua mais famosa de Harajuku, a Takeshita Street, é um turbilhão de cores, sons e estilos. As lojas vendem roupas extravagantes, acessórios chamativos, perucas coloridas e lentes de contato para transformar os olhos em enormes esferas de anime. É também o lugar perfeito para experimentar o famoso crepe de Harajuku, uma delícia recheada com frutas, chantilly e até pedaços de bolo. Enrolados em forma de cone, são um item obrigatório para os apreciadores de doces.

De preferência, visite a Takeshita e suas ruelas transversais em um dia de domingo. Há uma verdadeira passarela a céu aberto, com os jovens japoneses exibindo suas criações no estilo Lolita, gothic, decora, cyberpunk e outras tendências da moda alternativa. Irresistível.

Se Takeshita é o espírito vibrante e rebelde de Harajuku, Omotesando é a sua versão sofisticada. Frequentemente chamada de “Champs-Élysées de Tóquio”, a avenida arborizada abriga lojas de grifes de alto luxo, cafés chics e arquitetura elegante.

Após a Tóquio abarrotada de cores e luzes, falemos da cidade quieta, cerimonial e zen. Nossa primeira visita foi a um recanto de quietude e espiritualidade localizado a poucos passos da agitação de Takeshita: o Santuário Meiji (Meiji Jingū), um dos templos mais importantes do Japão. Ele descansa cercado por silêncio e perfumado por incenso. Dedicado aos espíritos deificados do Imperador Meiji e sua consorte, a Imperatriz Shoken, o santuário é cercado pelo Parque Yoyogi, uma grande área florestal com mais de 100 mil árvores. Um oásis dentro da cidade densamente construída.

Erguido em 1920, o Meiji Jingu tem uma atmosfera que convida à meditação – talvez porque inspirado pelo espírito generoso da imperatriz famosa pela dedicação à filantropia. Ao cruzar o imponente portão torii de madeira, eu me vi emocionada a observar meu filho caminhando pelas trilhas de cascalho, subitamente imerso na paz daquele lugar.

O Imperador Meiji foi o primeiro imperador do Japão moderno. Ele ascendeu ao trono em 1867, quando chegou ao fim a era feudal no Japão. Durante o Período Meiji, o Japão se modernizou. Neste santuário célebre do Xintoísmo é possível meditar observando o jardim interno, onde repousam os espíritos do casal imperador, fazer oferendas, comprar amuletos e talismãs ou escrever nas tradicionais emas (placas de madeira) os pedidos aos deuses. Muitos japoneses vão até lá para orar, casar ou fazer fotografias usando roupas tradicionais. Vimos um cortejo de casamento e eu aproveitei para saber a minha sorte. Fui sorteada com um poema do imperador. Ele diz: “Embora algumas vezes o sucesso demore a chegar, ainda assim nunca falharemos em alcançar os nossos objetivos se mantivermos a sinceridade no coração”. Um ano depois, ele soa como uma profecia benfazeja.

Não muito longe da entrada do santuário, encontra-se o museu Meiji Jingu, inaugurado em 2019. Projetado pelo renomado arquiteto Kuma Kengo, o museu exibe tesouros da coleção do santuário, incluindo pertences pessoais dos imperadores e a carruagem na qual o imperador viajou para a declaração formal da Constituição Meiji.

No caminho de volta há barris de vinho e de sakê perfeitamente enfileirados. Ao lado deles, duas placas que traduzem o espírito da era Meiji. Na primeira se lê: “Proveniência do vinho da Borgonha para consagração no Meiji Jingu”. E o texto se inicia com um poema do Imperador Meiji: “Ao obter o bem e rejeitar o que é errado, é nosso desejo que possamos nos comparar favoravelmente com outras terras no exterior.” e em seguida a explicação: “O Período Meiji foi uma era iluminada, na qual se adotou a política do “Espírito Japonês e Conhecimento Ocidental”, buscando aprender com o melhor da cultura ocidental enquanto se preservavam as antigas tradições do Japão. O Imperador Meiji liderou o movimento de modernização ao incorporar diversos elementos da cultura ocidental em sua vida pessoal, como o corte do tradicional topknot (coque samurai) e o uso de trajes ocidentais. Entre essas mudanças, Sua Majestade deu o exemplo ao introduzir alimentos ocidentais e, em particular, ao apreciar o vinho junto a eles. Os barris de vinho que serão consagrados no Meiji Jingu foram oferecidos pelas prestigiadas vinícolas da região de Borgonha, na França, por iniciativa do Sr. Yasuhiko Sata, representante da Casa da Borgonha em Tóquio, Cidadão Honorário de Borgonha e proprietário do Château de Chailly Hotel-Golf. Nossa profunda gratidão vai para os vinicultores que tão generosamente contribuíram com essa preciosa oferenda, que será consagrada aqui em espírito de paz mundial e amizade, com a sincera esperança de que França e Japão continuem a desfrutar de muitos anos frutíferos de amizade.”

A segunda placa informa “Barris de saquê envoltos em palha” e a explicação: “Durante a Era Meiji, o Imperador Meiji, cuja alma está consagrada aqui no Meiji Jingu, liderou o crescimento industrial e a modernização do Japão, incentivando diversas indústrias e apoiando o desenvolvimento tecnológico. Devido à sua graça e virtude, o Imperador Meiji e sua consorte, Imperatriz Shoken, a amada mãe de nossa nação, também consagrada aqui, são reverenciados com grande estima pelo povo japonês. Esses barris de saquê são oferecidos anualmente às divindades consagradas pelos membros da Meiji Jingu Zenkoku Shuzo Keishinkai (Associação Nacional dos Produtores de Saquê do Meiji Jingu), incluindo o Kotokai, que faz oferendas de saquê há gerações, assim como outros produtores de saquê de todo o Japão, que desejam demonstrar seu profundo respeito pelas almas do Imperador Meiji e da Imperatriz Shoken. Além de expressarmos nossa humilde gratidão a todos os fabricantes que tão generosamente doaram seu saquê, também oramos pelo contínuo progresso da indústria de produção de saquê e de todas as demais indústrias que preservam a cultura tradicional japonesa.”

Leio as placas e repito pela milésima vez: o Japão é mesmo um outro mundo.

Menos imponente mas encantador é o pequeno templo budista Jōgan-ji – que foi cenário do filme Lost in Translation e a que eu desejava visitar. Passei algum tempo caminhando entre as lápides do cemitério anexo ao templo e refletindo sobre o nosso curto tempo no mundo.

No outono de Tóquio, um dos cenários mais belos é o pagode de cinco andares, perfeitamente preservado, do templo budista Kan’ei-ji Endon-in (ou Kan’eiji). Datado de 1625 e localizado ao lado do zoológico de Tóquio, sua visão faz desaparecer o tempo e nos oferece aos olhos um Japão antigo e intocado. Dos 15 shoguns Tokugawa, seis estão sepultados ali.

Em meio a tantos templos, meu coração se rendeu inteiramente ao Ueno Tōshō-gū, o santuário xintoísta localizado no Parque Ueno e vizinho ao Kan’eiji. Tōshō-gū é um santuário xintoísta consagrado a Tokugawa Ieyasu (1543–1616), o fundador do xogunato Tokugawa. Há vários templos desse tipo por todo o Japão. Foram muito populares durante o Período Edo, mas vários foram abandonados após a Restauração Meiji. 

Construído em 1627, o Ueno Tōshō-gū é um ímã para os olhos. A decoração com folhas de ouro e as esculturas feitas à mão são primorosas. Passei horas observando as lanternas de pedra e os ricos detalhes de centenas de plantas e animais. O portão de entrada é magnífico. Seus pilares são decorados com dois dragões esculpidos: Noboriryu (Dragão Ascendente) e Kudariryu (Dragão Descendente). Diz a lenda que, todas as noites, os dois dragões deixam o templo e vão beber a água do vizinho lago Shinobazu. 

Toda a área do Parque Ueno pertencia ao complexo do templo – um dos mais ricos do Japão no apogeu da era do shogunato. O complexo incluía, ainda, o lago Shinobazu e o Templo Bentendō, que fica em uma ilha e vale a pena visitar.

O Templo Bentendo é dedicado à deusa Benzaiten (também chamada de Benten), a única mulher entre os sete deuses da sorte do Japão. Originalmente, ela era uma deusa indiana, protetora dos rios. No Japão ainda é associada à água e seus templos são geralmente construídos perto da rios e lagos. Benzaiten é a deusa das coisas que fluem, o que inclui palavras como sabedoria, riqueza, música e dança. Muitas vezes ela é mostrada segurando um tipo de alaúde chamado biwa cuja grande escultura se vê pouco antes de entrar no salão principal. Por causa da associação de Benzaiten com música e boa sorte, artistas fazem ofertas no templo, pedindo sucesso.

Bentendo é um lugar que planta doçuras no coração. No lago Shinobazu, repleto de plantas de lótus, símbolo budista de pureza, eram realizadas cerimônias de compaixão. O costume era soltar pássaros aquáticos, tartarugas e peixes no lago, que então chamado de “Lago da Libertação”. Hoje, há monumentos de pedra para esses três animais no terreno de Bentendo. Vê-los nos põe uma alegria nova no peito.

Deixei para o fim um dos meus lugares favoritos em Tóquio: o caminho que homenageia Matsuo Basho, um dos meus poetas preferidos. Em Fukagawa, a brisa do rio Sendaibori agita os cabelos e o sol poente ilumina as placas de madeira onde se alinham os haikus do monge-poeta. Tudo começa em Saito-an, a casa onde Basho um dia repousou. Abraço instintivamente a estátua no lugar do qual ele partiu para a longa jornada. A Ponte Mannen, imortalizada por outro dos meus amores, Hokusai, agora está sob os meus olhos que buscam a romper a barreira dos séculos. Do outro lado, há um santuário pequeno, o Bashō Inari, onde raposas de pedra velam a passagem do peregrino e onde talvez morem os espíritos das palavras.

Dias depois, visitei os Hamarikyu Gardens, um belíssimo jardim japonês no coração de Tóquio, com uma rica história e uma bela casa de chá (Nakajima no Ochaya) no meio do lago, onde se pode desfrutar de um matcha preparado do jeito tradicional enquanto se aprecia a paisagem. Localizado no fistrito de Chūō, perto da Baía de Tóquio e do rio Sumida, foi construído no período Edo como um jardim feudal. Atualmente, o contraste entre a tranquilidade da paisagem e os arranha-céus modernos ao redor é quase um poema visual. Ali encontrei uma homenagem a Basho, com um haiku gravado em pedra. Combinou perfeitamente com o lago de água salgada que muda ao sabor das marés, algo raro em jardins japoneses. Um lugar a nos lembrar o conceito de impermanência e uma bela preparação para a chegada à Kyoto imperial dos meus sonhos.

Kyoto

“Um lugar se torna sagrado somente quando o impregnamos com nossas memórias” – Yasunari Kawabata.

Kyoto é memória. A cidade, que foi capital imperial por mais de mil anos, ainda preserva a grandiosidade de seus templos, suas gueixas e florestas de bambu. Mas Kyoto é orgulhosa, tem ares de nobreza antiga. Recusa-se a ser museu – é uma cidade que respira história sem dela se tornar refém.

No templo dourado de Kinkaku-ji entendi o conceito de wabi-sabi, a beleza imperfeita do tempo. No Fushimi Inari, os milhares de torii (portões) vermelhos formam um caminho de sombras e de luz, um labirinto vermelho aberto para o céu. E no bairro de Gion, entre as casas de chá de madeira e os passos silenciosos das gueixas, senti o passado caminhando ao lado.

Meu filho e eu decidimos mergulhar nessa Kyoto ancestral que acende a imaginação. Escolhemos nos hospedar em um ryokan, a tradicional hospedaria japonesa. No primeiro dia, passamos a manhã meditando no monumental templo de Higashi Hongan-ji.

No dia seguinte foi a vez de fazermos a trilha do Fushimi Inari. Subimos devagar por entre os milhares de toriis vermelhos, como se atravessássemos sucessivas molduras que se estendiam pelo infinito. Em determinado ponto, pegamos a trilha lateral e passamos a subir a montanha.  No começo, o ruído dos turistas ainda nos alcançava, mas à medida que subíamos instalou-se o silêncio. Ficaram para trás as vozes, os passos apressados, o ruído das câmeras. Em torno de nós, ao longo do caminho, uma floresta de bambu, templos, estátuas de deuses, monges, dragões e leões divinizados e cobertos de musgo, cemitérios esquecidos com túmulos a se empilharem.  

Na volta, as estátuas de raposas carregando cereais ou trazendo uma chave na boca me fizeram pensar em Akira Kurosawa. Katsunes, as raposas brancas, sempre me lembram Kurosawa e seu filme “Sonhos”, na cena do casamento das raposas em meio à névoa de uma floresta encantada.  Fascinantes e temperamentais são as katsunes na cultura japonesa. As chaves que carregam são a dos celeiros de arroz, abrindo os caminhos para a prosperidade. São onipresentes em Fushimi Inari porque, como o nome diz, o templo é dedicado a Inari, a divindade xintoísta do arroz e da fertilidade da terra, e as raposas são suas fiéis mensageiras.

O terceiro dia foi dedicado a Kinkaku-ji, o Pavilhão Dourado, um dos templos mais célebres do Japão. Refletido nas águas do lago Kyōko-chi, tem uma beleza quase irreal. Fundado em 1397, pelo shogun Ashikaga Yoshimitsu, o templo hoje é reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO. Após a morte do shogun, foi convertido em templo da escola Zen Rinzai do Budismo. O Kinkaku-ji foi incendiado diversas vezes ao longo dos séculos, sendo o caso mais famoso o ocorrido em 1950, quando um monge noviço, obcecado pelo templo, ateou fogo na construção.

A estrutura atual foi reconstruída em 1955, mantendo o projeto original e revestindo seus dois andares superiores com folhas de ouro puro. O templo está cercado por um belíssimo jardim zen, que reflete a estética da natureza moldada para criar harmonia e contemplação. As várias ilhotas e pedras no lago possuem significados simbólicos ligados ao budismo.

É um daqueles lugares que parecem pertencer ao universo dos sonhos.

No último dia em Kyoto saí sozinha. Atravessei a cidade em busca do lugar em que habitou a mulher que me encanta desde a juventude. Caía uma chuva fininha quando cheguei ao portal do santuário onde viveu Lady Murasaki Shikibu. Permaneci ali, sem me mover, olhando as árvores, o jardim e as gotas que pareciam cair lentamente, como num sonho.

Uma emoção mansa me tomou: eu estava na casa em que a lendária dama da corte imperial japonesa há mil anos, na era Heian, escreveu o Genji Monogatari, possivelmente o primeiro romance literário do nosso mundo.

O que se sente ao pôr os pés no território sagrado dos sonhos realizados? Parece casamento de raposa: sol e chuva, lágrimas e doce alegria. Kitsune me abençoou.

Minutos antes eu caminhara sozinha pelos jardins do palácio imperial de Kyoto. Trazia um coração partido e a decisão de parar de escrever. Mas veio o vento e depositou folhas em forma de estrela na sombrinha. Havia uma tal beleza nas árvores vermelhas e alaranjadas que eu me senti abençoada. Meu ciclo de vida se cumpria. Plenitude e bem-aventurança ao alcance do corpo. Era muito cedo. Apenas eu e alguns japoneses idosos estávamos imersos naquela beleza.

Sem pressa atravessei os portões da casa em que viveu Lady Murasaki. Hoje é um templo budista, o Rozan-ji. Um bordo japonês debruçava-se sobre a entrada. Fiquei parada na soleira, vendo as gotas de chuva brilhando nas árvores. Nos fones de ouvido, uma antiga canção de infância: Casa de Bonecas (人形の家), cantada por Mieko Hirota (ouça aqui). A letra nada tem a ver comigo, mas de alguma forma se relaciona com o romance de Lady Murasaki e os corações partidos na trajetória de seu personagem, o príncipe Gengi. Tive vontade de acariciar as paredes, de tocar os detalhes em madeira, de visitar no quintal as flores recolhidas pelo inverno e as ervas aromáticas adormecidas à espera da primavera.

Na entrada da casa, uma escultura dourada da escritora. O templo se abria para um jardim zen. Havia um perfume de silêncio, uma doçura de incenso, um eco de amor. Ali Lady Murasaki refletiu sobre as paixões e os caminhos tortuosos da vida humana.

Naquele instante eu soube que concluiria meu romance, inspirada pelas palavras da Dama: “A arte de escrever é fruto da experiência do contador de histórias com os homens e as coisas. Experiências nos movem para uma emoção tão apaixonada que não se consegue mais mantê-la trancada no coração”.

A paz enfeitou de flores o meu mundo. Sentei na varanda, fechei os olhos e pelo meu rosto deslizaram, suavemente, líquidos poemas de amor.


Monte Fuji e Hakone

Nevoeiro e chuva
Um dia de Fuji invisível
Bastante agradável – Basho

No outono de 1684, o grande poeta do período Edo, Matsuo Basho, passou pelo Monte Fuji, que estava escondido por névoa e chuva. Basho – monge leigo e autor de relatos de viagem poéticos – valeu-se da sua capacidade de “enxergar” através de obstáculos. A montanha estava presente, em espírito. Ele estava feliz por sabê-la ali. Eternizou o sentimento em um haiku.

O poema me veio à mente quando o guia anunciou que, naquele outono, por causa da neve, estavam fechados os caminhos que me levariam à terra sagrada de Fuji-san. Eu o vi de longe, seu pico pedregoso coberto de neve sob o rosto feminino do sol (outro haikai famoso de Basho). Eu o vi, enquadrado pela câmera, junto ao rosto do meu filho. E fiquei feliz por sabê-los ali.

Eis a montanha sagrada refletida nas límpidas águas do lago Ashi. Ei-la como que flutuando entre nuvens. Ei-la a contagiar tudo com a sua paz.

O Monte Fuji é um cone simétrico sem outras montanhas próximas – exceto o Ashitaga, ao sul. Sua serena solidão dialoga com a minha. Tem pouco mais de 3.700 metros e é um vulcão ativo (embora esteja dormindo há três séculos). Lembra a alma humana.

No folclore e nas crenças xintoístas, o Monte Fuji é associado a uma divindade feminina. Sua deusa protetora é Konohanasakuya-hime. Ela é o “espírito de Fuji” e representa beleza, fogo e a efemeridade da vida.

No sopé da montanha símbolo do Japão, que os antigos acreditavam ser a morada dos deuses, pensei no quanto é fácil crer na lenda de que Fuji se formou em uma única noite. Sua majestosa presença nos convida a inclinar a cabeça e considerar sortilégios. Penso no imenso privilégio que é testemunhar o artesanato da Natureza ao longo dos milênios.

A região de Fuji-san e Hakone, com o lago Ashi, é uma das mais magníficas do Japão. Visitá-la, com seus templos isolados e paisagens de sonho, é um presente aos olhos e ao espírito.


Okinawa

“Okinawa não é Japão, mas também não deixa de ser” – o rosto sorridente de Ni, meu primo, me recebe traduzindo o espírito da bela ilha divorciada das pressas do mundo. Ali, de fato, a vida desliza em outro ritmo, embalado por águas turquesa de indescritível beleza. Uma espécie de caribe asiático, com forte influência chinesa, culinária própria e um guardião, o leãozinho Shisa (alguns dizem que é cão, mas ninguém briga por isso). Mesmo a música tem a sua peculiaridade e é tocada no sanshin, um instrumento de três cordas.

Okinawa já foi um reino separado – Ryukyu – e preserva sua cultura distinta, seu dialeto e sua relação única com a natureza. A bebida que traduz a ilha é awamori, um destilado de arroz fermentado com fungo negro.

Por toda parte que se olhe há representações de Shisa, de todas as cores e formatos. Em cima das casas, na rua, nas praças, diante do oceano, na entrada das lojas, tocando sanshin. Quando é representado com o focinho fechado, Shisa ele está com os demônios presos na sua boca. Se está de boca aberta, está gritando para espantar os demônios.

A culinária é diferente – há menos sushi refinado e ramen apressado. Consome-se goya champuru (um refogado de melão amargo e tofu), porco lentamente cozido e taco rice, uma invenção local que funde influências mexicanas e japonesas.

Devido à história única da região, a riqueza gastronômica é notável. A carne suína é onipresente, assim como as frutas (abacaxi, mamão, manga, maracujá e goiaba). E há os doces de abacaxi e de batata doce; a umi budō (uva do mar), uma alga comestível muito popular e que realmente se assemelha a minúsculas uvas verdes; o Okinawa soba, uma sopa de macarrão com caldo à base de porco, servida com fatias de carne suína e cebolinha; e o rafute, barriga de porco cozida em molho de soja e awamori. Cada prato reflete a história e a resiliência de um Japão bronzeado, que se caminha graciosamente entre tradição e influências externas.

O Museu Prefeitural de Okinawa e o Museu de Arte, em Naha, é dedicado a preservar a rica herança cultural e artística da região. Antes de entrar no museu há uma área-parque destinada a homenagear as vítimas da Segunda Guerra Mundial e honrar a memória das mais de 240 mil pessoas (inclusive civis) que perderam suas vidas durante a Batalha de Okinawa. Integra o Parque Memorial da Paz.

O Cornerstone of Peace (Heiwa no Ishiji) é um monumento composto por placas de granito dispostas em arcos concêntricos, onde estão gravados os nomes de todos os mortos no local, independentemente de sua nacionalidade ou status (civil ou militar) e dos moradores de Okinawa que morreram em batalhas em outros países. Um silêncio dolorido permeia tudo. Parece nos advertir sobre a insanidade das guerras.

Construído diante do oceano, o Museu tem grandes vidros que permitem aos visitantes contemplarem a magnífica paisagem da ilha – um cenário extraordinário.

Extraordinário parece ser um adjetivo criado para descrever Okinawa. Há belezas naturais à farta na ilha. Vilarejos de casas com telhados de argila, passeios para nadar com tartarugas e raias em águas translúcidas e as cavernas de Gyokusendo. Nestas a natureza esculpe nas rochas e um rio subterrâneo desliza suavemente entre as pedras. É uma catedral, uma oração, um bálsamo. Poesia da Terra a exibir suas entranhas feitas de água e de pedras esculpidas.

Localizadas no Okinawa World, parque temático cultural em Nanjō, as cavernas Gyokusendō se estendem por mais de 5.000 metros. Uma potência esculpida há 300 mil anos, que captura o olhar que pousa em suas estalactites, estalagmites e piscinas de águas cristalinas.  O acesso é por uma escada rolante cujo teto transparente aumenta a experiência.

Coloquei flores no cabelo para andar pela ilha. E fui elogiada pelos gentis moradores do paraíso de eterno verão, banhado por um mar de intensa beleza e guardado pelo adorável Shisa, que pouco se importa com a pressa do mundo.

Outros pontos Turísticos, lugares especiais e dicas importantes

Lugares em Tóquio:

Castelo de Edo, Parque Ueno, Tsukiji (o mercado de peixes mais famoso do mundo), Museu Nacional de Tóquio (uma das mais impressionantes coleções de arte japonesa tradicional); Templo budista Jōgan-ji (Onde foi filmado Lost in Translation). Endereço 3-chōme-35-1 Honchō, Nakano City, Tóquio 164-0012 (Clique aqui para acessar no mapa)

Lugares em Kyoto

Templo Kiyomizu-dera – O templo da água pura, budista, localizado no sopé do Monte Otowa, no leste de Kyoto. Construído no ano 778 dC.; Sanjūsangen-dō; Floresta de bambu em Arashiyama; Palácio Imperial de Kyoto

Lugares em Okinawa

Museu de Arte da História de Okinawa/Memorial da Paz

Dicas úteis

  1. Compre logo no aeroporto de Narita o Passaporte Pasmo (que pode ser usado em qualquer transporte público em Tokyo). Mas ele e vendido igualmente em máquinas nas grandes estações de metrô, como Sinagawa. Clique aqui para acessar o site.
  2. Há excursões excelentes para o Monte Fuji e Hakone, saindo de Tokyo em ônibus muito confortáveis, com almoço incluído, passeio de barco pelo lago Ashi e voltando no mesmo dia pelo Shinkansen, o trem-bala. A experiência é a tradução do Japão: saímos da Antiguidade direto para o século 21 em um piscar de olhos.
  3. No Japão se fala menos inglês do que imaginamos. Também que há poucos guardanapos de papel, fruto de um esforço da sociedade japoonesa para produzir menos lixo. Assim, prepare-se para ter seus próprios lenços de papel na bolsa. Leve moedas, pois algumas geladeiras de rua com bebidas geladas e quentes (refrigerantes chás, café e suco) aceitam apenas moedas.
  4. Requer senso de observação acurado passear no Japão sem cometer gafes. Pusemos em prática todas as nossas noções de etiqueta japonesa: não apontar com o hashi (o palitinho usado nas refeições), não tocar na comida alheia usando o seu hashi; não caminhar pela rua comendo ou bebendo (os japoneses compram suas bebidas e consomem no local da compra, pois dificilmente há lixeiras de rua); respeitar as filas no metrô e jamais ficar na parte central (alinhe-se em um dos dois lados e espere todos saírem para então entrar); não tagarelar em voz alta no transporte público.
  5. É raro, mas alguns restaurantes não aceitam estrangeiros. Em geral, isso acontece por causa da barreira linguística. Quanto aos restaurantes famosos, melhor fazer reserva antecipada.
  6. Divirta-se e experimente, sem medo de ser julgado. Tente a sorte em um UFO Catcher, aquelas máquinas que têm uma garra para tentar pegar bichinhos de pelúcia. E uma das manias nacionais no Japão.
  7. Use os aplicativos de tradução (usei o do Google e o da Apple). Eles têm uma câmera que quando apontada para o cartaz ou placa em língua estrangeira, permite a tradução.
  8. Para ir de Tóquio a Kyoto, experimente o Shinkansen, o trem-bala japonês. Para comprar tickets e pegar o trem vá a uma das seguintes estações: Estação de Tóquio (principal terminal do Shinkansen), Estação de Shinagawa e Estação de Ueno. Clique aqui para acessar o site do trem-bala.
  9. Vá além do sushi e sashimi. A culinária e a confeitaria japonesas são extremamente sofisticadas: um prazer para os olhos e o espírito. Experimente comidas diferentes. Em Asakusa, prove os imo yokan feitos de pasta de batata-doce e outros tipos de yokan como os de pasta de feijão-doce. Há também leite de batata doce, bubble tea com folha de ouro, enguia grelhada, mochi grelhado, katsuobushi (flocos do peixe bonito, seco, que parecem “dançar” no prato e dão a impressão que estão vivos), natto (feijão de soja fermentado e meio gosmento, com cheiro forte) e oshiruko, a sopinha doce de feijão azuki. Por toda a cidade há lojas de doces, cafés e sobremesas feitos com macha. Se for destemido, tente o perigoso baiacu (fugu), a carne de cavalo crua (basashi) e o sêmen de peixe (shirako). Se não for vegetariano, é obrigatório experimentar wagyu, a célebre carne de mais alta qualidade do Japão, conhecida por sua textura macia, marmoreio fino, sabor rico e doce de umami.
  10. Se for possível, vá a uma autêntica cerimônia de chá japonês. A mente se acalma instantaneamente.
  11. Experimente os crepes de Harajuku: https://www.byfood.com/blog/tokyo/harajuku-crepe-shops
  12. Deixe-se contagiar pela delicadeza. O Japão convida a uma certa inocência e a uma apreciação amorosa do presente.
  13. Se quiser evitar as multidões, vá ao Fushimi Inari, em Kyoto, ao nascer do sol. É mágico e pacífico.
  14. Mergulhe no Japão tradicional dos ryokans e banhos termais. Se tiver tatuagens, cubra-as: há adesivos especiais à venda em farmácias, especialmente para cobrir tatuagens.
  15. As lojas de conveniência (chamadas de kombinis, originário de conveniência/lojas de conveniência) vendem lanches e refeições de muito boa qualidade. Algumas têm lugar para o cliente fazer a refeição.
  16. Táxi – Pense duas vezes antes de pegar táxi ou Uber. São caríssimos. O metrô é eficiente e seguro, com banheiros muito limpos e bem cuidados. Por outro lado, há regras e peculiaridades para usar um táxi no Japão. Aqui estão os principais pontos que você deve saber: a) as portas são automáticas. No Japão, a porta traseira esquerda do táxi abre e fecha automaticamente. O motorista controla a porta, então não tente abrir ou fechar manualmente — basta esperar que ela vai abrir. b) A entrada correta para os passageiros é pelo lado esquerdo do carro (banco traseiro). O lado direito é reservado para o motorista e pode ser usado para bagagem. c) A maioria dos táxis aceita dinheiro, cartão de crédito e até pagamentos digitais (como Suica, Pasmo e PayPay), mas é sempre bom conferir antes de entrar. Todos os táxis são equipados com cintos de segurança traseiros, e usá-los é obrigatório. Os motoristas de táxi/Uber geralmente não falam inglês, então, no caso do táxi, pode ser útil mostrar o destino escrito em japonês ou usar o Google Maps para apontar o local. Se for pegar táxi na rua ou em algum ponto de táxi, verifique se o táxi está livre (um letreiro vermelho aceso na frente do carro indica “空車” (kusha, vazio). Se estiver ocupado, o letreiro mostra “賃走” (chinso, em serviço) ou “回送” (kaisou, fora de serviço). À noite há um acréscimo de tarifa entre 22h e 5h.
  17. Não dê gorjeta no Japão. O preço do serviço já inclui tudo, e tentar dar gorjeta pode ser considerado estranho ou até rude. O atendimento no Japão é baseado no conceito de omotenashi (hospitalidade genuína), e os funcionários se orgulham de prestar um bom serviço sem esperar nada além do pagamento justo. Inclusive, pode ser interpretado como insulto, entendido como se você estivesse sugerindo que a pessoa precisa de dinheiro extra ou que o serviço não é profissional o suficiente.

Galeria de fotos. Imagens do Museu Nacional de Tóquio, Museu de Okinawa, Parque Ueno, esculturas, casas de chá, alimentos e jardins